– andarilho

Hora: 23:14 – Ouvindo: Ed Sheeran: Autumn Leaves

Sabe, olhando fotos de algumas pessoas… Sinto uma falta tão grande de meus amigos da Igreja. Só parece injusto que eu more numa cidade onde eu tenha nenhum amigo próximo que compartilhe da mesma fé que eu. Eu olho essas fotos de grupos de amigos e fico tão feliz por eles, me sinto tão apaixonado por cenas de pura diversão saudável, mas ao mesmo tempo me dói estar longe dos meus amigos com quem eu poderia ter o mesmo tipo de diversão… Entende? Sair só pra rir, só pra jogar papo fora, pra tirar foto, só para ser bobo… Continuar lendo

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– novo mundo

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Hora: 18:16 – Ouvindo: Imagine Dragons – It’s Time

Dois anos. Quanto eu achava que dois anos me mudariam? No momento não relembro e de verdade, não importa tanto. Não importa o quanto eu julguei esses dois anos antes de vivê-los, pois qualquer estimativa que tive de mudança estava mais do que errada. A mudança pela qual passei foi inexpressivelmente maior do que qualquer expectativa que imaginei ou planejei.

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– dando adeus

Hora: 17:20 – Ouvindo: One Republic – Come Home

Eu estou de partida. Indo embora. Para longe e por muito tempo. Talvez tempo suficiente para ser esquecido. Talvez tempo suficiente para as boas lembranças se apagarem, tempo suficiente para a vida mudar drasticamente. Eu estou indo embora e vou deixando tudo para trás. Vou deixando minha família, meus amigos e vizinhos, vou deixando minha cidade e tudo o que nela há. Vou deixando velhos hábitos e hábitos nem tão velhos assim. Vou acenando adeus a tudo isso e dizendo olá para outro lugar e outras pessoas.

Lógico, existe a dor. Ela não deixa de me acompanhar. É triste ver tudo ficando para trás, triste ver as lágrimas nos rostos da minha mãe e, pasmem, do meu pai. Eu não sei o que me espera, não sei o que acontecerá, nem sei quem vou conhecer. Estou caindo de cabeça dentro de um mistério, e afinal, o futuro é apenas isso mesmo: Um mistério. Vou embora com a fé de que isso vai me fazer bem, me melhorar, me consertar e trazer boas coisas. Eu preciso fugir, correr, me afastar dessa cidade, dessas pessoas, desses hábitos. Preciso começar do zero, nunca pensei que precisaria disso, entretanto dia desses percebi isso. Preciso iniciar do nada, num novo lugar, com novas pessoas com hábitos diferentes, quase como se eu precisasse de um novo nome, por que aqui… Aqui não dá mais, não para o modo de vida que quero viver. Essa cidade me polui, me corrompe, me afasta dos meus propósitos, dificulta minha decisões. Amo meus pais, mas com eles perto sempre serei dependente e acomodado, amo meus amigos, mas com eles não consigo tomar as decisões que preciso tomar, amo essa cidade, mas está impossível viver aqui. Deus, como isso é difícil. Eu gostaria de começar do zero aqui mesmo, mas não dá.

Então é isso, algum lugar me espera, pessoas que não conheço me aguardam, uma nova vida bate na minha porta com pressa, e eu só estou fechando minha mala para poder ir atendê-la e abraçá-la, aceitá-la de bom grado. Se um dia voltarei para cá depois de partir? Sim, por pouco tempo espero. Ou talvez só para visitar por pouquíssimo tempo. Ou talvez nem mesmo isso, talvez eu arranje um lugar perto daqui para vir aqui rapidinho e fugir de novo.

Posso parecer ingrato com tudo e todos, mas não é isso… Sério. Daqui levarei apenas lembranças que tentarei manter no fundo da memória. Pode até não parecer, mas na verdade, agora é que estou tomando o caminho da minha verdadeira casa, estou tomando o caminho do meu futuro. Ele me estende a mão.

Eu estou partindo. Eu estou indo embora. Com uma mala cheia de esperanças. Um novo lugar e novas pessoas. Novas oportunidades e decisões. Novo ar e um novo sol.

Estou partindo para um novo eu. Preciso abraçá-lo, preciso vê-lo.

Preciso, enfim, conhecê-lo.

– colisão

gentevoadnogm9

Hora: 11:21 – Ouvindo: Howie Day – Collide

Sabe, eu me vejo, nesses dias, correndo para um lugar ou algo ou alguém que não conheço. Corro sem pudor, e pior, sem prudência. Eu mal consigo abrir os olhos de tanta confusão que ronda minha cabeça meio infértil de explicações. É meio como se eu não tivesse uma escolha. É como se eu estivesse sendo arremessado de um lugar quer não seu qual para o outro tão desconhecido quanto o anterior, sentindo o vento passar por mim sem me deter, vendo o chão impassível se estendendo em baixo de mim cada vez mais perto. E eu sinto que a colisão está mais perto… e mais perto. Quando sinto o chão mais perto tenho a curiosidade: Há alguém para me segurar quando eu cair? Há alguém que ouvirá a minha voz, o meu apelo sair dos pulmões e se espatifar no ar? A resposta vem quase como uma brisa a bagunçar de leve meus cabelos: Não. O vento leva minha lágrimas embora, seca meu rosto e me deixa com frio. Ele sabe que eu vou cair e não faz nada para me segurar, lá em baixo, eu vejo: Não há ninguém me esperando. Então eu tenho que me contentar e saber que vou cair sozinho. Talvez todos estejam ocupados demais em suas próprias quedas. Talvez uns cairão como eu, desamparados, outros já serão recebidos e cairão com menos impacto. Por que não eu? A confusão me faz cair no chão. A solidão me faz sentir que não há nada dentro de mim. Não há sangue, não há coração, não há pulmões, não há vida, amor ou mesmo alma.

Eu ando nas ruas escuras, frias e sem-nomes enquanto dou adeus à minha casa. A cidade transpira diversão, mas ao olhar nos olhos das pessoas sinto uma tristeza tomar conta de mim. Vejo que no fundo dos olhos delas, elas são tão tristes como eu… O mundo tá cheio de tristezas, as pessoas estão irremediavelmente quebradas por dentro, todo mundo tenta se concertar, mas isso é impossível. O que me deixa mais triste ainda e que me faz afundar um pouco mais. =/ Me pergunto se elas acreditam em coisas como paraíso, inferno ou mesmo Deus… Eu tenho de vontade de abraçar uma dessas pessoas, chorar abraçando-a e dizê-la que ela não é a única a sofrer, vontade de dizer que EU também sofro.

Eu queria poder falar que eu posso transpor os problemas sem grandes dificuldades ou que eu posso fazer o que quero e não ligar para o que os outros vão dizer ou ainda que não me machucarei toda vez que alguém me atingir, mas… eu não consigo. O choro rompe na minha garganta antes. Eu queria acreditar que posso fazer todos me admirar assim como num estalar de dedos.

Eu queria acreditar que meus pais um dia se orgulharão do que eu faço. Eles já me machucaram tanto, e nem sabem que as cicatrizes que deixam em mim não estão do lado de fora visiveis na minha pele, mas sim dentro. Acho que sou apenas uma criança sem grandes ambições a qual os pais talvez se arrependam de ter dado um nome. Talvez esse seja o motivo de eu mesmo ter escolhido meu nome depois q cresci. Mas eu não sei o que me tornei, não sei o que estou me tornando ainda ou se estou de fato me tornando algo. Eu sou o filho esquecido, iniciado já no fim da linha, recusado antes mesmo de começar… Sem uma ponte para uma inocência, para uma satisfação garantida. Uma catástrofe no seio da família, a ovelha negra. Eu vejo eles me olhando lá de baixo, sem braços abertos para me receber enquanto eu caio. Mas eu fui feito do jeito que sou … Talvez eles se arrependam de terem me feito, mas é tarde demais para me salvar. Eu não queria ser uma pedra, queria ser apenas um garoto normal sem grandes problemas como que lidar. Eu gostaria que Deus me visse agora, Ele me animaria e começaria a resolver tudo.

Eu sou um desastre ambulante caindo pronto para uma colisão.

– 23 dias

Hora: 00:12 – Ouvindo: Boys Like Girls – Two is Better Than One

Ela foi embora. Agora é de fato. Agora é a realidade. Ela não está mais ao meu alcance, ela não está na cidade vizinha onde eu poderia ir a qualquer hora ou de onde ela poderia sair quando quisesse. Ela foi embora, ela realmente foi. Foi um misto de sentimentos que senti na hora, algo entre tristeza e conformismo. É o melhor para ela, disso eu sei… Mas quem disse que é o melhor para mim? Talvez até seja se nosso namoro conseguir resistir à distância até Julho quando eu for para lá. Isso já é uma decisão tomada também: se eu conseguir um lugar para ficar e o dinheiro da passagem, eu irei.

Ela me deu um abraço rápido… O mais rápido dos abraços que ela deu naquele momento. Confesso que senti inveja e ciúme de um amigo dela, a quem ela mais demorou abraçando. Confesso também que passei todo o tempo em que estávamos lá esperando o ônibus com ciúmes do jeito que eles se falavam. Era tudo muito próximo e aos cochichos, não gostei, mas como um bom namorado; comportei-me, afinal eles são amigos e eu já tive provas o suficiente para saber que ela é assim com todo mundo.

Trocamos presentes improvisados também. Depois dela muito insistir para ficar com minha camisa listrada e eu dar a ela, ela me deu na parada uma camisa também, ela é preta e carrega consigo todo o cheiro dela o qual eu passei um bom tempo cheirando e querendo chorar.

Eu não sei como pude me apaixonar assim tão rápido. Foram apenas 23 dias juntos, menos de um mês, pouco mais de 500 horas juntos e eu já sinto a falta dela como se tivessem levado meus pulmões naquela bagagem dentro do ônibus. Eu sei que não vou ficar tranqüilo enquanto não tiver notícias que ela chegou lá bem, não vou me aquietar e parar de suspirar toda vez que penso nela enquanto ela não me mandar um recado ou um depoimento contando como foi a viagem.

Eu a amo. Ela sabe disso e disse que me ama também. Não sei como isso foi acontecer tão rápido. Lembro do dia em que ficamos a primeira vez, lembro o que ela vestia e bebia, lembro como me olhava e sorria. Como eu fui burro em perder todo um ano em que podíamos ter estado juntos…

Eu lembro que quando ela disse que gostava de mim, eu pensei “Isso podia ser alguma coisa em minha vida.” Mas eu atrasei isso, e agora eu a perdi temporariamente e a machuquei irreparavelmente.

Me espera, por favor. Nós ficaremos juntos outra vez. ❤