– nossos barcos

Às vezes nos pegamos perdidos em meio à complexidade dos dias atuais. Parece que todo mundo está com seu próprio barco lotado de coisas com as quais deve lidar por conta própria. Alguns conseguem dirigir tudo isso com aparente maestria, e alguns de nós vivem com constante medo do peso do barco nos levar para o fundo. É complicado. A gente tende a buscar ajuda nos outros, uma espécie de reboque. “Me ajuda, meu barco tá muito pesado”. Continuar lendo

Anúncios

– por do sol

IMG_20160914_210548

Quando eu tinha cinco anos eu soube que eu não era igual aos outros garotos. Eu não era igual ao meu irmão e primos. Eu percebi olhando o céu num pôr-do-sol que havia uma diferença em mim. Desde então eu fui analisando essa diferença. Eu observava o comportamento do meu pai e irmão e me incomodava que eu não conseguia ser como eles, por mais que eu tentasse. Quando era eu que fazia, me parecia tão falso, tão ensaiado, tão debilitado…

Continuar lendo

– virgem

107

Hora: 16:55 – Ouvindo: Sleeping At Last – I’m Gonna Be

Um dia você me disse que eu te deixava sem palavras. Logo você que escreve livros. E isso me pareceu de uma estranheza imensa, por que eu − também escritor − raramente me sinto sem palavras. Mas então, decidi te escrever num texto, quis te transformar em letras, sílabas, orações e complementos verbais. Quis te formar em sujeito e predicado, e qual a minha surpresa ao perceber que toda frase que eu iniciava parecia tola e infantil e eu não conseguia chegar a uma extensão correta daquilo que você é para mim. Continuar lendo

– estamos todos desesperados

 

Estamos todos com medo de amar. Essa é a grande verdade. Apesar de tantas opções que temos hoje, apesar dos mais variados tipos de relações, dos aplicativos de pegação disfarçados de aplicativos de namoro, dos likes, dos amei, dos crushes que aparecem sem fim, dos matches… Estamos com medo de amar. Quanto mais pessoas querem ser amadas, menos pessoas parecem dispostas a amar. Às vezes tudo dentro de um mesmo peito. Tudo batendo junto numa sinfonia disforme. “Quero, mas tenho medo.” Continuar lendo

– reforma

Hora: 18:42 – Ouvindo: Bastille – Bad Blood

Olá. Quanto tempo. Sim, faz meses. Meses desde que olhei para o teclado e meus olhos turvaram perante minhas lágrimas confusas e conturbadas. Não, eu mal entendia o que queria dizer naquele último post. Sim, eu sentia muita dor e senti durante um bom tempo. Se você me perguntasse se eu passei esse tempo todo sem escrever por que estava me recuperando, eu responderia que não. Eu passei esse tempo todo sem escrever por diversos motivos. Eu não usaria a palavra curar para o que passei. A gente nunca se cura de verdade, né?

Continuar lendo