– estamos todos desesperados

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Estamos todos com medo de amar. Essa é a grande verdade. Apesar de tantas opções que temos hoje, apesar dos mais variados tipos de relações, dos aplicativos de pegação disfarçados de aplicativos de namoro, dos likes, dos amei, dos crushes que aparecem sem fim, dos matches… Estamos com medo de amar. Quanto mais pessoas querem ser amadas, menos pessoas parecem dispostas a amar. Às vezes tudo dentro de um mesmo peito. Tudo batendo junto numa sinfonia disforme. “Quero, mas tenho medo.”

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– novas folhas

Hora: 18:40 – Ouvindo: Jake Rau – His Love

Permanecer firme. Necessito disso mais do que qualquer outra coisa. Eu prometi a mim mesmo que uma nova fase de minha vida iria se iniciar, e já que ela já se iniciou, eu não posso trazer os ossos e sombras do passado para o novo-eu. Assim como árvores que criam novas folhas e se desvencilham das velhas e secas, eu vou seguindo em frente diante das estações. Às vezes parece-me penoso me desfazer de algumas folhas, me parece doloroso deixar que elas caiam sendo que as mantive tanto tempo comigo numa estação que antigamente achei que duraria sem fim. Continuar lendo

– hermético

Hora: 03:54 – Ouvindo: Avril Lavigne – Get Over It / Glee Cast – Landslide

 ‘Você se sente só?’ É isso que me pergunto em minha mente quando te vejo pensando com os olhos perdidos em algum ponto que não posso adivinhar qual é, quando percebo que tua mente vagueia bem longe de mim enquanto um sorriso plácido toma tua boca ou uma expressão enigmática enche teu olhar… Ali, como se estivesse levitando no ar.

Por que tudo que você faz me afeta tanto? Por que tudo que sei ao teu respeito me importa tanto? Por que todas as vezes que te vejo com uma pessoa ou sei que pode estar ficando com outro alguém meu coração salta para uma inquietação incontrolável? São nessas ocasiões que percebo o quanto gosto de ti: quando sinto o risco de te ver amando alguém que não seja eu. Você nem imagina o quanto isso me assusta!

São nessas ocasiões que vejo que não te superei como pensava, por que posso passar dias sem pensar muito em ti, entretanto quando fico sabendo de você com alguém, me desespero completamente, e você não sai da minha cabeça durante horas, durante dias nos quais acordo com tua imagem bela e brilhante esvanecendo junto com meus sonhos e durmo com a esperança de te rever em mais uma noite de sonhos, esperando que eu possa realizar lá o que não tenho coragem de dizer ou fazer pessoalmente. Ainda não sei se esses sonhos são bons ou se só me machucam mais. Por que posso falar de pessoas e pessoas quando estou contigo, mas aqui dentro, uma boa parte do meu ser é todo teu… Vazio por que você não quis entrar ainda, por medo ou outra coisa qualquer.

Mas talvez tudo continue assim, talvez você finalmente ache o alguém que você procura e que tudo aponta que não seja eu, talvez você continue nesse caminho de solidão conformada, talvez você até mesmo tenha escolhido seguir só. Talvez eu continue um bom tempo sozinho também, talvez eu envelheça só ou talvez encontre alguém especial que faça uma reforma aqui dentro e resolva ocupar o espaço que era teu. Talvez um dia você me note e talvez eu não esteja mais aqui para ver o brilho dos seus olhos a me olhar, para aquecer meu peito quando eu ver o teu sorriso se abrir em minha direção só por me ver, para sentir o toque da tua mão na minha pele ou a tua respiração vindo de encontro ao meu pescoço ou mesmo de encontro à minha. Talvez, se um dia você escalar essa mesma montanha que eu escalo por ti, lá de cima, talvez, você me veja refletido em alguma nuvem altiva ao pôr-do-sol ou em algum lago brilhante à luz do sol, assim como eu te vejo hoje. Talvez nesse dia eu poderia deixar vir à tona tudo o que sinto e ainda posso sentir por ti… Apenas talvez.

Crianças crescem, atitudes e hábitos mudam… E eu continuo crescendo e mudando também. Estou pegando meu coração e o desmontando. Para quem você se entregará um dia?

Quando eu estiver longe daqui, penseem mim. Eu estarei pensando em ti.

Talvez, um dia, lá na frente, eu consiga superar isso.

Talvez eu consiga superar esse sentimento confuso que há aqui dentro.

Talvez eu consiga descobrir toda a verdade sobre você, o porquê de você ser assim.

E talvez nesse dia tudo faça sentido.

– dando adeus

Hora: 17:20 – Ouvindo: One Republic – Come Home

Eu estou de partida. Indo embora. Para longe e por muito tempo. Talvez tempo suficiente para ser esquecido. Talvez tempo suficiente para as boas lembranças se apagarem, tempo suficiente para a vida mudar drasticamente. Eu estou indo embora e vou deixando tudo para trás. Vou deixando minha família, meus amigos e vizinhos, vou deixando minha cidade e tudo o que nela há. Vou deixando velhos hábitos e hábitos nem tão velhos assim. Vou acenando adeus a tudo isso e dizendo olá para outro lugar e outras pessoas.

Lógico, existe a dor. Ela não deixa de me acompanhar. É triste ver tudo ficando para trás, triste ver as lágrimas nos rostos da minha mãe e, pasmem, do meu pai. Eu não sei o que me espera, não sei o que acontecerá, nem sei quem vou conhecer. Estou caindo de cabeça dentro de um mistério, e afinal, o futuro é apenas isso mesmo: Um mistério. Vou embora com a fé de que isso vai me fazer bem, me melhorar, me consertar e trazer boas coisas. Eu preciso fugir, correr, me afastar dessa cidade, dessas pessoas, desses hábitos. Preciso começar do zero, nunca pensei que precisaria disso, entretanto dia desses percebi isso. Preciso iniciar do nada, num novo lugar, com novas pessoas com hábitos diferentes, quase como se eu precisasse de um novo nome, por que aqui… Aqui não dá mais, não para o modo de vida que quero viver. Essa cidade me polui, me corrompe, me afasta dos meus propósitos, dificulta minha decisões. Amo meus pais, mas com eles perto sempre serei dependente e acomodado, amo meus amigos, mas com eles não consigo tomar as decisões que preciso tomar, amo essa cidade, mas está impossível viver aqui. Deus, como isso é difícil. Eu gostaria de começar do zero aqui mesmo, mas não dá.

Então é isso, algum lugar me espera, pessoas que não conheço me aguardam, uma nova vida bate na minha porta com pressa, e eu só estou fechando minha mala para poder ir atendê-la e abraçá-la, aceitá-la de bom grado. Se um dia voltarei para cá depois de partir? Sim, por pouco tempo espero. Ou talvez só para visitar por pouquíssimo tempo. Ou talvez nem mesmo isso, talvez eu arranje um lugar perto daqui para vir aqui rapidinho e fugir de novo.

Posso parecer ingrato com tudo e todos, mas não é isso… Sério. Daqui levarei apenas lembranças que tentarei manter no fundo da memória. Pode até não parecer, mas na verdade, agora é que estou tomando o caminho da minha verdadeira casa, estou tomando o caminho do meu futuro. Ele me estende a mão.

Eu estou partindo. Eu estou indo embora. Com uma mala cheia de esperanças. Um novo lugar e novas pessoas. Novas oportunidades e decisões. Novo ar e um novo sol.

Estou partindo para um novo eu. Preciso abraçá-lo, preciso vê-lo.

Preciso, enfim, conhecê-lo.

– as cores

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Hora: 17:35 –  Ouvindo: Pink – Fucking Perfect

As cores estão molhando os meus olhos.
Derramando ácido através de minha retina afetada.
Elas correm rápido e machucam quando eu tento as olhar.
Não consigo fixar meus olhos nelas por que elas ardem e me envergonham de tão inchados que estão.
Minhas pálpebras estão pesadas com o peso das cores e da luz.
O ar queima meu cabelo e minha pele, me deixa suado, ofegante e torna as cores mais cruéis.
É como se houvessem rasgado meus olhos. Sinto as cores maculando
meu corpo, corrompendo minha estrutura óssea e muscular.
Distendendo todo meu eu.
A luz do outro par de olhos que me encaram é quase como um aviso de perigo. Profundo e avassalador, porém reconfortante ao mesmo tempo.
Vejo o vermelho de sangue e o laranja do suor.
O amarelo das lágrimas e o verde da saliva.
Sinto correr o azul dos arrepios e o violeta malévolo da língua ávida,
e tremo perante o rosa das mãos que me abraçam e acariciam com força e
lentamente.
Me fazendo sentir o teu lado mais obscuro ao libertar o meu também.
As cores estão molhando os meus olhos.
As cores estão me subornando e me enchendo de corrupção do teu ser celestial.