– cinza

 

Hora: 12:48 – Ouvindo: Chevelle – Until You’re Reformed

Ok, poesia não é meu forte e nem uma das minhas coisas favoritas, mas algo bem feito, de boa sonoridade e tocante me prende a atenção e respiração. Resolvi fazer um poema em inglês, meu primeiro. Embaixo do original em inglês se encontra a tradução crua e sem rimas.

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– inverso

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Hora:08:50 – Ouvindo: Coldplay – Fix You

O que se faz quando tudo que você faz não adianta para nada? O que se faz quando tudo o que você quer é só um pedido de desculpas e uma conversa sincera mas tudo o que você ouve é apenas o silêncio e o som do seu coração doendo e suas lágrimas rolando pelo seu rosto no escuro? O que se faz quando você não tem ninguém para conversar, quando você precisa aceitar palavras afiadas e superá-las para pôr em primeiro lugar um sentimento mais nobre? Eu estou cansado.

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– colisão

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Hora: 11:21 – Ouvindo: Howie Day – Collide

Sabe, eu me vejo, nesses dias, correndo para um lugar ou algo ou alguém que não conheço. Corro sem pudor, e pior, sem prudência. Eu mal consigo abrir os olhos de tanta confusão que ronda minha cabeça meio infértil de explicações. É meio como se eu não tivesse uma escolha. É como se eu estivesse sendo arremessado de um lugar quer não seu qual para o outro tão desconhecido quanto o anterior, sentindo o vento passar por mim sem me deter, vendo o chão impassível se estendendo em baixo de mim cada vez mais perto. E eu sinto que a colisão está mais perto… e mais perto. Quando sinto o chão mais perto tenho a curiosidade: Há alguém para me segurar quando eu cair? Há alguém que ouvirá a minha voz, o meu apelo sair dos pulmões e se espatifar no ar? A resposta vem quase como uma brisa a bagunçar de leve meus cabelos: Não. O vento leva minha lágrimas embora, seca meu rosto e me deixa com frio. Ele sabe que eu vou cair e não faz nada para me segurar, lá em baixo, eu vejo: Não há ninguém me esperando. Então eu tenho que me contentar e saber que vou cair sozinho. Talvez todos estejam ocupados demais em suas próprias quedas. Talvez uns cairão como eu, desamparados, outros já serão recebidos e cairão com menos impacto. Por que não eu? A confusão me faz cair no chão. A solidão me faz sentir que não há nada dentro de mim. Não há sangue, não há coração, não há pulmões, não há vida, amor ou mesmo alma.

Eu ando nas ruas escuras, frias e sem-nomes enquanto dou adeus à minha casa. A cidade transpira diversão, mas ao olhar nos olhos das pessoas sinto uma tristeza tomar conta de mim. Vejo que no fundo dos olhos delas, elas são tão tristes como eu… O mundo tá cheio de tristezas, as pessoas estão irremediavelmente quebradas por dentro, todo mundo tenta se concertar, mas isso é impossível. O que me deixa mais triste ainda e que me faz afundar um pouco mais. =/ Me pergunto se elas acreditam em coisas como paraíso, inferno ou mesmo Deus… Eu tenho de vontade de abraçar uma dessas pessoas, chorar abraçando-a e dizê-la que ela não é a única a sofrer, vontade de dizer que EU também sofro.

Eu queria poder falar que eu posso transpor os problemas sem grandes dificuldades ou que eu posso fazer o que quero e não ligar para o que os outros vão dizer ou ainda que não me machucarei toda vez que alguém me atingir, mas… eu não consigo. O choro rompe na minha garganta antes. Eu queria acreditar que posso fazer todos me admirar assim como num estalar de dedos.

Eu queria acreditar que meus pais um dia se orgulharão do que eu faço. Eles já me machucaram tanto, e nem sabem que as cicatrizes que deixam em mim não estão do lado de fora visiveis na minha pele, mas sim dentro. Acho que sou apenas uma criança sem grandes ambições a qual os pais talvez se arrependam de ter dado um nome. Talvez esse seja o motivo de eu mesmo ter escolhido meu nome depois q cresci. Mas eu não sei o que me tornei, não sei o que estou me tornando ainda ou se estou de fato me tornando algo. Eu sou o filho esquecido, iniciado já no fim da linha, recusado antes mesmo de começar… Sem uma ponte para uma inocência, para uma satisfação garantida. Uma catástrofe no seio da família, a ovelha negra. Eu vejo eles me olhando lá de baixo, sem braços abertos para me receber enquanto eu caio. Mas eu fui feito do jeito que sou … Talvez eles se arrependam de terem me feito, mas é tarde demais para me salvar. Eu não queria ser uma pedra, queria ser apenas um garoto normal sem grandes problemas como que lidar. Eu gostaria que Deus me visse agora, Ele me animaria e começaria a resolver tudo.

Eu sou um desastre ambulante caindo pronto para uma colisão.

– por que, pai?

Hora: 20:20 – Ouvindo: Megan McCauley – Come to Me

Hoje eu tava pensando na minha relação com meu pai que cada dia vai de mal a pior. Não é que nos odiamos ou que não queiramos conviver juntos, é que parece que nunca fomos próximos de verdade e que só agora vemos os malefícios disso tudo, e o pior: a gente não faz nada pra melhorar esse quadro. Eu fico pensando em todas as vezes que ele não esteve presente, em todas as vezes que ele me jogou palavras na cara, quase como um tapa. Quase como um soco. Eu lembro que ele nunca me abraçou de verdade, sabe aqueles abraços cheio de carinho e ternura que vemos nos filmes quando pais e filhos se encontram? Pois é, eu nunca tive um daqueles. A gente nunca conversou sobre os problemas um do outro, a gente nunca compartilhou um momento de diversão juntos. A verdade é que eu sempre me senti meio que abandonado pela sua parte, apesar de eu o ver todos os dias. E apesar de o ver todos os dias, isso não mudou nem muda nada.

Eu nunca o disse como dói todas as vezes que alguém me elogia pelo que sou e ele sempre diz algo que ele acha que a pessoa está errada, que eu não sou aquilo que ela pensa. Eu nunca o disse como machuca quando ele diz que apesar de eu ser ”um pouco inteligente” eu não sei usar minha inteligência, quando na verdade, eu estou criando histórias fantásticas nos meus livros. Nunca o disse que dói no fundo do meu coração todas as vezes que lembro quantas vezes ele já me disse que sou uma decepção há muito tempo em sua vida e na vida de minha mãe; o quanto dói ao saber que ele me acha um desastre ambulante, um sem-futuro, uma pessoa que não tem sonhos realizáveis e que nunca será bem sucedido como meu irmão mais velho.

Ele não sabe que eu sou tímido, ele não sabe que eu sou inteligente, ele não sabe que eu tenho grandes amigos, e não simplesmente ”colegas do dia-a-dia”, como ele diz. Por que, pai, o senhor não pode aceitar os elogios dirigidos a mim? Por que, pai, o senhor não aceita que eu posso me dar bem na vida com o que gosto de fazer e que isso vai me levar longe? Por que o senhor não acredita que meus sonhos são importantes para mim e que são eles que me mantém são e que eles são verdadeiramente o que quero? Por que, pai, o senhor acha que eu tenho que ser como meu irmão? Será que o senhor não vê que provavelmente eu sou como sou por que quero uma atenção pelos meus atos e não por repetir aquilo que meu irmão já fez?

Será que o senhor não consegue ver que eu sempre quis, por mais que eu esconda isso, uma relação mais próxima entre nós? O senhor não consegue ver que eu penso que não sou bom o suficiente e que toda minha insegurança vem por causa disso? Que toda vez que eu penso que estou indo bem… o senhor sempre tem uma opinião contrária e que me desanima?

Todos os meus amigos me dizem que não sabem como suporto você, não sabem como eu não rompo relações com você e me mudo, e não nego que eu já quis muito isso. Eu já quis me mudar várias vezes, e ainda quero sair do país, morar em um lugar mais calmo e longe desse pessimismo que você me passa.

Por que nunca fomos próximos, pai? Por que o senhor nunca brincou comigo? Por que nunca me fez uma festa de aniversário? Por que nunca me deixou brincar com os meninos em frente de casa a vontade? Por que nunca foi me buscar no colégio e por que não me dava dinheiro pro lanche? Por que não quis que eu escolhesse o curso na universidade que eu gosto e por que não quis que eu estudasse em outra cidade? Por que desconta sua raiva de mim em cima da mamãe dizendo coisas chatas para ela?

Por que nunca me disse ”eu te amo”, pai?

– olhos recém abertos

Hora: 01:27 – Ouvindo: Florence & The Machine – Dog Days Are Over

Então será assim: Voltarei com determinação aos princípios que quero seguir. Depois de hoje, o dia – sem drama nenhum – que mais me senti humilhado, desrespeitado e sem respostas para o que me diziam, decidi que chega de brincar com coisas sérias, chega de ser o irresponsável, chega de ser o hipócrita que tanto falam. Eu tentei inutilmente conciliar uma coisa com outra completamente contrária, e veja só no que deu… Como era de se esperar só sobrou para mim, só sobrou pra mim esse sentimento de chateação. De raiva por não poder dizer nada, por não ter como rebater as críticas.

É por isso que se disse: “Não há como servir a dois senhores ao mesmo tempo”. Descobri há alguns minutos atrás – da pior forma – que é a mais pura verdade. Então se não ganho respeito, o mínimo que for, ao me juntar, de que me adianta “me mesclar” a esse grupo? O que estou ganhando? Não é algo novo ou de primeira vez, isso já aconteceu algumas vezes, mas hoje foi cruelmente exagerado! Por que as pessoas simplesmente não podem aceitar as opiniões ou decisões das outras pessoas? O que pessoas querem interferir na vida de alguém que “finge” algo para um determinado grupo, quando elas mesmas enganam descaradamente outras pessoas?

O que mais me irrita é saber que eles fazem de propósito! Saber que sabem que isso é importante para mim e mesmo assim demonstram desprezo e escárnio na minha frente sem se importar com o que penso a respeito ou não.

Então é hora de recolher os brinquedos, guardar numa caixa e jogar tudo fora. É hora de levar a vida a sério, é hora de dizer nãos firmes para aquilo que pode me deixar sem respostas quando isso acontecer de novo – por que sim, vai acontecer. É difícil você ser o único membro de um grupo no meio de outro grupo que não respeitam o grupo ao qual você pertence.

E assim vai ser, será não por cima de não, por que apesar de tudo, isso me serviu para abrir meus olhos, para mostrar a importância que isso que tanto defendo tem na minha vida, então se quero defender isso, essas pessoas, esse grupo e esse lugar, tenho que estar preparado, tenho que ter minhas próprias armas.

Eu estive tapando meus olhos por um bom período, cegando-me e tapando meus ouvidos propositalmente, escolhendo não olhar para o lado certo, mas depois de hoje… Chega. Simplesmente já deu o que tinha dá. Toda essa folia, todo esse descuidado, esse desleixo, esse desapego pelo que é realmente importante… Tudo isso acaba junto com essa noite. Tudo fica para trás e quero que permaneça no passado. Depois de tempos tentando me dividir em dois, isso ganha um ponto final, essa fase…

Acabou.