– árvores

Hora: 12:46 – Ouvindo: Breaking Benjamin – Rain

Você já sentiu como se todo mundo secretamente – ou não – esperasse que você fizesse algo e você não soubesse como fazer? Já sentiu a pressão de olhares e palavras? Você já ouviu um suspiro de decepção que te doeu mais do que uma pedrada? Você já quis conversar, se abrir, se explicar, mostrar que você também tem fraquezas mas tudo o que encontrou foi uma parede branca? Já sentiu seu coração sendo envolvido por uma folha em branco que ia apertando, apertando, apertando até você perder o ar? Você já se sentiu como apenas um montinho de terra sem importância de verdade? Continuar lendo

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– canto perdido

sozinho

Hora – 17:12. Ouvindo: Garbage – You Look So Fine / Tyrone Wells – All Broken Hearts / Eddie Vedder – Society / Goo Goo Dolls – Iris

De novo aqui com cara de derrotado. De novo aqui com vergonha até mesmo de escrever, mas essa é a única maneira que conheço de poder realmente contar como me sinto. Já, eu já chorei hoje. Sim, eu já estou triste de novo. É que sempre que encontro alguém que começo a me interessar, esse alguém não é o que penso que é ou já tem outra pessoa. Sempre é isso. E isso se repete, de novo e de novo. Me pondo mais para baixo cada vez que acontece, e eu afundo mais dentro da lama da solidão, para dentro do interior frio da tristeza que me domina, que me espanca, que me corrompe e me deixa pior do que já sou.

Por fora, pareço  tão bem, mas se você olhar melhor, bem dentro dos meus olhos, lá no fundo negro você vai me ver encolhido num canto perdido ou desprezado do meu ser. Você vai me ver como eu estou, você verá todas as feridas que ainda sangram incessantemente de mim, que derramam meu sangue sobre minha pele nua. De novo eu estou aqui sofrendo, imagino o quão pesado seja o fardo que carrego… Eu mal consigo carregá-lo sem fazer com ele me deixe curvado, quase rente ao chão.

Eu não sou como os outros garotos, eu não suporto isso como os outros garotos, eu não sei lidar com isso… Dói tanto toda vez que ocorre. Cada vez mais, mais, mais. Dentro de mim produz um barulho de pancada no metal, seco e duro. Céus, quanto mais eu vou chorar? Por quantos dias ainda viverei assim? Sem saber se existe alguém para mim. Eu me sinto um castelo de areia em frente a uma tsunami, uma casa de cartas de baralhos em frente a um furacão… Eu me sinto tão fraco e minha vontade é me jogar no chão e deixar ele me abraçar, me prender, me sugar e me enterrar.

Eu queria tanto que isso passasse, eu queria  tanto me sentir melhor, queria tanto ter alguém que eu tivesse certeza de que me amava.

Acredito que posso ser um pouco egocêntrico por que sempre acho que tudo conspira contra mim, mas são tantas coisas que me deixam triste… Na verdade, nem são tantas, o que ocorre é que elas ocorrem com tanta frequência que fazem isso comigo. A falta de confiança e de apoio dos meus pais, os relacionamentos que não dão certo ou que nem mesmo chegam a se iniciar, as patadas que levo do amor, as discussões com amigos…

Se o amor fosse um jogo e fazer pontos significasse amar e ser amado de verdade, eu acho que meu total de pontos estaria em negativo. A cada tentativa, eu conseguiria menos um ponto. E eu diria: Desculpa, eu acho que eu não sei jogar o jogo do amor =( Queria que alguém interessado de fato pudesse me ensinar.

Eu ouço essa músicas tristes e cada dedilhada do violão na música parece me atingir com força de uma pedra, com um impacto de um punhal no peito. Perdão… Eu acho que estou muito fundo nos meus pensamentos, talvez isso não esteja fazendo sentindo nenhum. Talvez nem faça mesmo, e só eu possa entender. Desculpe, eu não consigo mais digitar, meus olhos estão cheio de lágrimas e embaçados.

Quando você pensa mais do que você quer, seus pensamentos começam a sangrar. 😦 😦

– quem são vocês?

Hora: 17:34 – Ouvindo: David Archuleta – Crush

Quem são vocês? É isso que me pergunto em momentos como aqueles. Quem na verdade vocês, que se dizem meus amigos, são? Por quem se passam? Por que se mostram daquele jeito? É claro, talvez aquilo seja vocês. Eu digo aquilo por que não sei como me referir a um ser humano que faz aquilo com alguém que chama de seu amigo. Talvez aquilo fossem seus verdadeiros eus, afinal, estávamos num ambiente natural, o instintos se soltam e a personalidade verdadeira, nua e cruel se mostra. Eu queria entender o que é engraçado em maltratar os outros com palavras e risinhos irônicos. Eu me senti abusado, chutado de um lado pro outro. “Vai, tua vez. Chuta com mais força agora. Bota para machucar mesmo.”

Será que só eu penso assim? Todos se queixam que já passaram por um momento como aquele algum dia em suas vidas. Ok, não duvido. Mas por que se já passaram e sabem como machucam, por que fazer com outra pessoa? Como sempre, eu fiquei calado enquanto as palavras afiadas e certeiras como flechas bem lançadas acertavam meu peito e minha cabeça vinda sobre o disfarce de “brincadeira”. Que brincadeira dolorosa. “As pessoas só te conhecem por que tu anda conosco” (Risos e gargalhadas). “Nós somos teus únicos amigos, e tu nunca terá outros além de nós”. “Jamais ninguém será teu amigo”. “Nós fazemos isso por que podemos, por que sabemos que tu é fraco”. Flechas e mais flechas. Eu só as recebi, sabe como é, eu tenho essa estranha incapacidade de revidar a insultos e “brincadeiras” desse tipo. Eu fico calado, sendo ferido, fico só… Sentindo. Lá dentro. Tudo caindo. Quebrando. E adivinha, isso dói com força. Sério.

Mas é claro, era tudo brincadeira. Eu não devia me importar. Por que me importar afinal? Vocês, que se dizem meus amigos, são meus únicos amigos, certo? Se eu não aguentar quietinho, vou ficar em casa, sozinho com a solidão. Vai querer o que? É pegar ou largar. As vezes, me pergunto: Vocês se importam comigo? Melhor, se importam com o que sinto por vocês? Se importam de fato se um dia eu me revoltar e começar a odiar vocês e preferir a solidão do meu quarto? Tá, a resposta até imagino qual seja: Tu que sabe. Isso é praticamente um “tanto faz”.

É, eu acho que não sei quem são vocês. Eu adoraria poder projetar como está meu coração desde ontem e o quanto e o quanto eu ando pensando na “brincadeira” de vocês. Gostaria de mostrar, se não fosse pedir muito, a cena ridícula que aconteceu no meu banheiro hoje pela manhã enquanto eu tomava banho, quando eu lembrei de tudo, tentei segurar o choro e não consegui. O choro rompeu na minha garganta com força, abrupto. Deixei minhas lágrimas se misturarem com a água que caía, achei que assim seria menos vergonhoso quando eu me lembrasse. Foi um choro quieto, silencioso, quase conformado. Eu não queria assustar minha mãe com meus problemas a respeito da “brincadeira” de vocês. Sabe, vocês deviam ter visto meus olhos, eles estavam vermelhos. E a única coisa que fiz foi fechá-los, não queria mais ver essa minha fraqueza expressa neles. Doía também. Até me assustei com a intensidade da dor, eu não sabia que uma “brincadeira” fazia isso tudo.

Mas enfim, nós somos assim, não é? Vocês atiram, eu recebo. Sempre é assim. Acredito que nesse período em que estou quase de partida por 2 anos, essa será uma lembrança legal que terei de nós. Vocês me dizendo que sou um otário solitário sem amigos e feio, que tenho que aguentar isso, ouvindo que vocês planejam me excluir de coisas que farão. Dois anos longe de vocês tendo essa memória da “brincadeira” de vocês diretamente guardada na minha cabeça, e claro, no fundo do meu coração. Imaginem o que isso fará em mim. Por dois anos. Para terminar, não, eu não estou mais zangado com vocês, as cicatrizes foram embora rápido dessa vez. Mas tenho uma pergunta a vocês, meus amigos:

Quem, de verdade, são vocês?

– 23 dias

Hora: 00:12 – Ouvindo: Boys Like Girls – Two is Better Than One

Ela foi embora. Agora é de fato. Agora é a realidade. Ela não está mais ao meu alcance, ela não está na cidade vizinha onde eu poderia ir a qualquer hora ou de onde ela poderia sair quando quisesse. Ela foi embora, ela realmente foi. Foi um misto de sentimentos que senti na hora, algo entre tristeza e conformismo. É o melhor para ela, disso eu sei… Mas quem disse que é o melhor para mim? Talvez até seja se nosso namoro conseguir resistir à distância até Julho quando eu for para lá. Isso já é uma decisão tomada também: se eu conseguir um lugar para ficar e o dinheiro da passagem, eu irei.

Ela me deu um abraço rápido… O mais rápido dos abraços que ela deu naquele momento. Confesso que senti inveja e ciúme de um amigo dela, a quem ela mais demorou abraçando. Confesso também que passei todo o tempo em que estávamos lá esperando o ônibus com ciúmes do jeito que eles se falavam. Era tudo muito próximo e aos cochichos, não gostei, mas como um bom namorado; comportei-me, afinal eles são amigos e eu já tive provas o suficiente para saber que ela é assim com todo mundo.

Trocamos presentes improvisados também. Depois dela muito insistir para ficar com minha camisa listrada e eu dar a ela, ela me deu na parada uma camisa também, ela é preta e carrega consigo todo o cheiro dela o qual eu passei um bom tempo cheirando e querendo chorar.

Eu não sei como pude me apaixonar assim tão rápido. Foram apenas 23 dias juntos, menos de um mês, pouco mais de 500 horas juntos e eu já sinto a falta dela como se tivessem levado meus pulmões naquela bagagem dentro do ônibus. Eu sei que não vou ficar tranqüilo enquanto não tiver notícias que ela chegou lá bem, não vou me aquietar e parar de suspirar toda vez que penso nela enquanto ela não me mandar um recado ou um depoimento contando como foi a viagem.

Eu a amo. Ela sabe disso e disse que me ama também. Não sei como isso foi acontecer tão rápido. Lembro do dia em que ficamos a primeira vez, lembro o que ela vestia e bebia, lembro como me olhava e sorria. Como eu fui burro em perder todo um ano em que podíamos ter estado juntos…

Eu lembro que quando ela disse que gostava de mim, eu pensei “Isso podia ser alguma coisa em minha vida.” Mas eu atrasei isso, e agora eu a perdi temporariamente e a machuquei irreparavelmente.

Me espera, por favor. Nós ficaremos juntos outra vez. ❤

– partida

Hora: 17:51 – Ouvindo: Creed – One Last Breath

“É justo de certo modo.” – foi o que eu disse segurando as lágrimas que insistiam em sair dos meus olhos no meio da rodoviária parcialmente lotada.

“Não, não é. O tempo que é injusto” – foi o que você respondeu pondo a mão em meu ombro talvez tentando me consolar.

Eu não sei. Você sempre me avisou que isso um dia aconteceria, que  você pensava em sair daqui, procurar um lugar melhor para viver e assim melhorar sua vida. Eu sabia disso tudo e mesmo assim me viciei em tua presença, em tua voz, teus abraços, teu cheiro… teu beijo. Eu me viciei propositalmente com rapidez e com intensidade. Eu sabia o risco que corria, mas não pude evitar me deixar envolver depois de todas as noites que dormimos abraçados, depois de todos os beijos repentinos, dos roubados, dos leves, quentes, carinhosos e  principalmente dos intensos.

Como não vou sentir saudade de todas as vezes que você me abraçava na hora de dormir, beijava meu pescoço e desejava boa noite ao pé do meu ouvido? Como não sentir saudade até mesmo das mordidas às vezes fortes que você dava?

Estou com medo do futuro. Eu só queria te ter aqui e não te perder nem sequer por um dia que seja. Só queria que continuasse a crescer o sentimento que há entre nós, só queria ter tua mão a segurar com firmeza a minha quando eu estivesse a passar por aflições. Talvez eu esteja surpreso do jeito que realmente te quero e preciso de você.

Eu só não queria te ter longe e assim correr o risco de te perder. =(

E quem vai me levar entre as estrelas, quem vai fazer toda manhã se cubrir de luz… Quem, além de você?