– reforma

Hora: 18:42 – Ouvindo: Bastille – Bad Blood

Olá. Quanto tempo. Sim, faz meses. Meses desde que olhei para o teclado e meus olhos turvaram perante minhas lágrimas confusas e conturbadas. Não, eu mal entendia o que queria dizer naquele último post. Sim, eu sentia muita dor e senti durante um bom tempo. Se você me perguntasse se eu passei esse tempo todo sem escrever por que estava me recuperando, eu responderia que não. Eu passei esse tempo todo sem escrever por diversos motivos. Eu não usaria a palavra curar para o que passei. A gente nunca se cura de verdade, né?

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– 23 dias

Hora: 00:12 – Ouvindo: Boys Like Girls – Two is Better Than One

Ela foi embora. Agora é de fato. Agora é a realidade. Ela não está mais ao meu alcance, ela não está na cidade vizinha onde eu poderia ir a qualquer hora ou de onde ela poderia sair quando quisesse. Ela foi embora, ela realmente foi. Foi um misto de sentimentos que senti na hora, algo entre tristeza e conformismo. É o melhor para ela, disso eu sei… Mas quem disse que é o melhor para mim? Talvez até seja se nosso namoro conseguir resistir à distância até Julho quando eu for para lá. Isso já é uma decisão tomada também: se eu conseguir um lugar para ficar e o dinheiro da passagem, eu irei.

Ela me deu um abraço rápido… O mais rápido dos abraços que ela deu naquele momento. Confesso que senti inveja e ciúme de um amigo dela, a quem ela mais demorou abraçando. Confesso também que passei todo o tempo em que estávamos lá esperando o ônibus com ciúmes do jeito que eles se falavam. Era tudo muito próximo e aos cochichos, não gostei, mas como um bom namorado; comportei-me, afinal eles são amigos e eu já tive provas o suficiente para saber que ela é assim com todo mundo.

Trocamos presentes improvisados também. Depois dela muito insistir para ficar com minha camisa listrada e eu dar a ela, ela me deu na parada uma camisa também, ela é preta e carrega consigo todo o cheiro dela o qual eu passei um bom tempo cheirando e querendo chorar.

Eu não sei como pude me apaixonar assim tão rápido. Foram apenas 23 dias juntos, menos de um mês, pouco mais de 500 horas juntos e eu já sinto a falta dela como se tivessem levado meus pulmões naquela bagagem dentro do ônibus. Eu sei que não vou ficar tranqüilo enquanto não tiver notícias que ela chegou lá bem, não vou me aquietar e parar de suspirar toda vez que penso nela enquanto ela não me mandar um recado ou um depoimento contando como foi a viagem.

Eu a amo. Ela sabe disso e disse que me ama também. Não sei como isso foi acontecer tão rápido. Lembro do dia em que ficamos a primeira vez, lembro o que ela vestia e bebia, lembro como me olhava e sorria. Como eu fui burro em perder todo um ano em que podíamos ter estado juntos…

Eu lembro que quando ela disse que gostava de mim, eu pensei “Isso podia ser alguma coisa em minha vida.” Mas eu atrasei isso, e agora eu a perdi temporariamente e a machuquei irreparavelmente.

Me espera, por favor. Nós ficaremos juntos outra vez. ❤

– referência

Hora: 12:37 – Ouvindo: Everything’s allright – Plus 44

Na verdade eu  não sei o que quero escrever. Depois de um bom tempo, é dificil voltar a  antiga rotina. É dificil falar sobre as mesmas coisas de antes, por que essas coisas de antes foram modificadas e transformadas em outras. Então como transformá-las no que eram originalmente? Esse sentimento misto de certeza e dúvida está me machucando. Porém, o que machuca mais: esse sentimento ambiguo ou a provável decepção que eu teria no futuro se não tivesse feito isso?

Não é por mim! É simplesmente por ela! Não haveria como o namoro sobreviver entre o emprego, universidade e trabalhos da mesma! Eu seria ausente, cruel e completamente ausente! Por isso escolhi isso, preferi terminar. Terminei enquanto tudo estava bem, terminei antes que a fadiga começasse, antes que a obrigação nos abraçasse, antes que a frustação, ciúmes, raiva e tristeza transformasse nosso namoro. Terminei por não querer ver o fim trágico de algo que foi tão belo em minha vida. A coisa mais bela que já me aconteceu, a coisa pela qual serei eternamente grato, mesmo que ela jamais queira falar ou olhar na minha cara outra vez!

Sei, sei, posso estar sendo prático (pragmático, como um amigo me definiria), mas é por nós – e mais especialmente por ela. Eu não aguentaria vê-la chorar pela minha falta, sendo que eu não poderia fazer nada para remediar isso. Eu não suportaria a idéia de que eu estava deixando ela de lado – mas sei que é exatamente isso que estou fazendo, contudo dessa forma é diferente. Ela sempre será minha referência de verdadeiro amor, de companheirismo, de pessoa certa pra se viver junto até a morte.             

Eu não queria que fosse assim. Eu não queria ter que enfrentar esse dilema. Eu não queria ser o responsável e ser o porta-voz disso tudo. Por mim isso não aconteceria. Eu ainda a amo demais e me dói como vidro correndo pelas veias dizer isso tudo! Muitos devem me julgar fraco, covarde e medroso, não peço que me entendam, pois nem eu me entendo muito bem.

Foi apenas necessário.       

“Oh,  please tell me that you’re allright. Yeah, everything’s allright. ” (♫)

Yes I’ll be just fine.

– mensagem perdida

Hora: 18:56 – Ouvindo: All The Small Things – Blink 182

Mexendo nos arquivos de um computador de uma lan, achei isso:

“A menina diz que te ama, então tá. Ela te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se a garota beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ela faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severo consigo mesmo, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.”

Não sei quem escreveu, mas queria deixar aqui meus parabéns pelo belo texto. 🙂