– nossos barcos

Às vezes nos pegamos perdidos em meio à complexidade dos dias atuais. Parece que todo mundo está com seu próprio barco lotado de coisas com as quais deve lidar por conta própria. Alguns conseguem dirigir tudo isso com aparente maestria, e alguns de nós vivem com constante medo do peso do barco nos levar para o fundo. É complicado. A gente tende a buscar ajuda nos outros, uma espécie de reboque. “Me ajuda, meu barco tá muito pesado”. Continuar lendo

– chuva de lembranças

Hora: 02:56 – Ouvindo: The Killers – Read My Mind

Bem, revirando os cômodos perdidos do meu computador achei esse texto que escrevi com a intenção de publicar aqui, mas por qualquer motivo que não lembro, não publiquei. É um texto do dia 16 de Agosto de 2010, ou seja, mais de 3 anos atrás agora:

Lembranças. Isso é tudo o que me vem na mente nesses momentos. A chuva caiu e com ela veio uma torrente de lembranças saudosas. Não aquela saudade que dói no peito e que nos faz querer chorar, não. Mas sim aquela saudade que nos faz lembrar os amigos e querê-los por perto mais uma vez.

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– eles

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Hora: 19:30 – Ouvindo: Shinedown – If You Only Knew

Eu queria tê-los sempre comigo. Queria carregá-los para todas as direções em todos os caminhos e voar em todos os ventos e mergulhar em todas as águas com eles. Queria, se pudesse, carregá-los como anéis – sempre podendo olhar para eles, sempre podendo estar ao alcance de meus dedos. Jamais imaginei que a falta deles me deixaria como um cômodo vazio, incômodo.

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– duas vezes

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Hora: 20:47 – Ouvindo: Plain White T’s – Hey There Delilah

E ali estávamos. Praticamente no mesmo lugar onde nos conhecemos, quase no mesmo horário até. Seus olhos cintilaram em minha direção como da primeira vez e minha respiração repentinamente me deixou. Nunca consigo mantê-la quando seus olhos esbarram nos meus e chegam acompanhados com seu tímido e fino sorriso. Na verdade, acho mesmo é que fico tão fascinado e enebriado com sua beleza que acabo esquecendo de respirar.

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– quem são vocês?

Hora: 17:34 – Ouvindo: David Archuleta – Crush

Quem são vocês? É isso que me pergunto em momentos como aqueles. Quem na verdade vocês, que se dizem meus amigos, são? Por quem se passam? Por que se mostram daquele jeito? É claro, talvez aquilo seja vocês. Eu digo aquilo por que não sei como me referir a um ser humano que faz aquilo com alguém que chama de seu amigo. Talvez aquilo fossem seus verdadeiros eus, afinal, estávamos num ambiente natural, o instintos se soltam e a personalidade verdadeira, nua e cruel se mostra. Eu queria entender o que é engraçado em maltratar os outros com palavras e risinhos irônicos. Eu me senti abusado, chutado de um lado pro outro. “Vai, tua vez. Chuta com mais força agora. Bota para machucar mesmo.”

Será que só eu penso assim? Todos se queixam que já passaram por um momento como aquele algum dia em suas vidas. Ok, não duvido. Mas por que se já passaram e sabem como machucam, por que fazer com outra pessoa? Como sempre, eu fiquei calado enquanto as palavras afiadas e certeiras como flechas bem lançadas acertavam meu peito e minha cabeça vinda sobre o disfarce de “brincadeira”. Que brincadeira dolorosa. “As pessoas só te conhecem por que tu anda conosco” (Risos e gargalhadas). “Nós somos teus únicos amigos, e tu nunca terá outros além de nós”. “Jamais ninguém será teu amigo”. “Nós fazemos isso por que podemos, por que sabemos que tu é fraco”. Flechas e mais flechas. Eu só as recebi, sabe como é, eu tenho essa estranha incapacidade de revidar a insultos e “brincadeiras” desse tipo. Eu fico calado, sendo ferido, fico só… Sentindo. Lá dentro. Tudo caindo. Quebrando. E adivinha, isso dói com força. Sério.

Mas é claro, era tudo brincadeira. Eu não devia me importar. Por que me importar afinal? Vocês, que se dizem meus amigos, são meus únicos amigos, certo? Se eu não aguentar quietinho, vou ficar em casa, sozinho com a solidão. Vai querer o que? É pegar ou largar. As vezes, me pergunto: Vocês se importam comigo? Melhor, se importam com o que sinto por vocês? Se importam de fato se um dia eu me revoltar e começar a odiar vocês e preferir a solidão do meu quarto? Tá, a resposta até imagino qual seja: Tu que sabe. Isso é praticamente um “tanto faz”.

É, eu acho que não sei quem são vocês. Eu adoraria poder projetar como está meu coração desde ontem e o quanto e o quanto eu ando pensando na “brincadeira” de vocês. Gostaria de mostrar, se não fosse pedir muito, a cena ridícula que aconteceu no meu banheiro hoje pela manhã enquanto eu tomava banho, quando eu lembrei de tudo, tentei segurar o choro e não consegui. O choro rompeu na minha garganta com força, abrupto. Deixei minhas lágrimas se misturarem com a água que caía, achei que assim seria menos vergonhoso quando eu me lembrasse. Foi um choro quieto, silencioso, quase conformado. Eu não queria assustar minha mãe com meus problemas a respeito da “brincadeira” de vocês. Sabe, vocês deviam ter visto meus olhos, eles estavam vermelhos. E a única coisa que fiz foi fechá-los, não queria mais ver essa minha fraqueza expressa neles. Doía também. Até me assustei com a intensidade da dor, eu não sabia que uma “brincadeira” fazia isso tudo.

Mas enfim, nós somos assim, não é? Vocês atiram, eu recebo. Sempre é assim. Acredito que nesse período em que estou quase de partida por 2 anos, essa será uma lembrança legal que terei de nós. Vocês me dizendo que sou um otário solitário sem amigos e feio, que tenho que aguentar isso, ouvindo que vocês planejam me excluir de coisas que farão. Dois anos longe de vocês tendo essa memória da “brincadeira” de vocês diretamente guardada na minha cabeça, e claro, no fundo do meu coração. Imaginem o que isso fará em mim. Por dois anos. Para terminar, não, eu não estou mais zangado com vocês, as cicatrizes foram embora rápido dessa vez. Mas tenho uma pergunta a vocês, meus amigos:

Quem, de verdade, são vocês?