– muralhas

rapaz solitário

Hora:09:00 – Ouvindo: Imagine Dragons – Radioactive

Ele era um rapaz solitário. Dedicado aos seus pensamentos e reflexões. Era um bando de um só integrante, era um exército de si mesmo, um pacote repleto de sua própria essência. Em seu interior tantas ruas e vielas se confundiam, tantos destroços e ruínas se amontoavam que era praticamente impossível a ele mesmo encontrar quem ele era, talvez fosse isso que o levasse a pensar tanto. Talvez fosse por não se conhecer que preferia não permitir a ninguém que o conhecesse, que alguém o encontrasse antes de si mesmo.

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– inverso

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Hora:08:50 – Ouvindo: Coldplay – Fix You

O que se faz quando tudo que você faz não adianta para nada? O que se faz quando tudo o que você quer é só um pedido de desculpas e uma conversa sincera mas tudo o que você ouve é apenas o silêncio e o som do seu coração doendo e suas lágrimas rolando pelo seu rosto no escuro? O que se faz quando você não tem ninguém para conversar, quando você precisa aceitar palavras afiadas e superá-las para pôr em primeiro lugar um sentimento mais nobre? Eu estou cansado.

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– escarro

Hora: 16:40 – Ouvindo: Chevelle – Wonder What’s Next

Eu queria que o dia estivesse nublado. Negro e cinza. Queria que as nuvens pesadas cor de chumbo estivessem cobrindo qualquer resquício de luz que o sol quisesse impor agora. Os dias parecem melhores e belos quando as nuvens imperam prepotentemente lá em cima. Pesadas e arrogantes, lentas por causa do fardo que carregam. Queria o vento frio e cortante feito navalha a espancar meu rosto, levantando e bagunçando meus cabelos, açoitando meu peito enquanto eu o desafiasse e caminhasse contra ele, queria o passando veloz por mim levando embora com ele todo esse sentimento amargo.

Cresce tanta raiva aqui dentro, amadurece tanto ódio no meu peito que quando o espaço está cheio, o perigo é grande demais até para mim mesmo. Guardo minhas mãos nos bolsos, caminho reto e direto e fecho a cara para que possam ler em mim um aviso de perigo, um “afaste-se” bem claro estampado no meu rosto, é uma forma de prevenir. Na verdade, eu nem sei se essa raiva toda tem um motivo certo, primeiro veio a tristeza e eu fiquei como preto-e-branco, lá em baixo, depois a fúria começou a ferver e crescer de tal forma que eu tenho receio de quebrar algo.

Eu queria o dia escuro e frio, de uma forma que eu pudesse sair na rua, com todo ódio correndo aqui dentro e observar as nuvens predizendo uma chuva, para que quando um estrondo no céu ocorresse, quando começasse a desaguar, a cair céus e terras em forma de chuva, eu pudesse abrir as portas do meu peito e deixar meu ódio livre, deixá-lo fugir sem coleira e sem um modo de prendê-lo outra vez, deixá-lo correr até cansar. Queria meus cabelos molhados, caídos sobre minha fronte, gotas pingando dele, meus olhos sanguíneos, minha boca encrespada de ira.

Queria sentir sair meu hálito frio, gélido, sem vida e sentir um ar mais frio e sujo entrar pelos meus pulmões, irritar minha garganta e me fazer tossir e escarrar um sangue negro de ódio e sadismo.

Eu veria as casas caírem, veria as árvores serem levadas e as torres desmoronarem, veria tudo caindo e indo embora, até eu ficar sozinho e desértico.

Sim, hoje eu queria um dia de ódio e destruição.

– as cores

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Hora: 17:35 –  Ouvindo: Pink – Fucking Perfect

As cores estão molhando os meus olhos.
Derramando ácido através de minha retina afetada.
Elas correm rápido e machucam quando eu tento as olhar.
Não consigo fixar meus olhos nelas por que elas ardem e me envergonham de tão inchados que estão.
Minhas pálpebras estão pesadas com o peso das cores e da luz.
O ar queima meu cabelo e minha pele, me deixa suado, ofegante e torna as cores mais cruéis.
É como se houvessem rasgado meus olhos. Sinto as cores maculando
meu corpo, corrompendo minha estrutura óssea e muscular.
Distendendo todo meu eu.
A luz do outro par de olhos que me encaram é quase como um aviso de perigo. Profundo e avassalador, porém reconfortante ao mesmo tempo.
Vejo o vermelho de sangue e o laranja do suor.
O amarelo das lágrimas e o verde da saliva.
Sinto correr o azul dos arrepios e o violeta malévolo da língua ávida,
e tremo perante o rosa das mãos que me abraçam e acariciam com força e
lentamente.
Me fazendo sentir o teu lado mais obscuro ao libertar o meu também.
As cores estão molhando os meus olhos.
As cores estão me subornando e me enchendo de corrupção do teu ser celestial.

– canto perdido

sozinho

Hora – 17:12. Ouvindo: Garbage – You Look So Fine / Tyrone Wells – All Broken Hearts / Eddie Vedder – Society / Goo Goo Dolls – Iris

De novo aqui com cara de derrotado. De novo aqui com vergonha até mesmo de escrever, mas essa é a única maneira que conheço de poder realmente contar como me sinto. Já, eu já chorei hoje. Sim, eu já estou triste de novo. É que sempre que encontro alguém que começo a me interessar, esse alguém não é o que penso que é ou já tem outra pessoa. Sempre é isso. E isso se repete, de novo e de novo. Me pondo mais para baixo cada vez que acontece, e eu afundo mais dentro da lama da solidão, para dentro do interior frio da tristeza que me domina, que me espanca, que me corrompe e me deixa pior do que já sou.

Por fora, pareço  tão bem, mas se você olhar melhor, bem dentro dos meus olhos, lá no fundo negro você vai me ver encolhido num canto perdido ou desprezado do meu ser. Você vai me ver como eu estou, você verá todas as feridas que ainda sangram incessantemente de mim, que derramam meu sangue sobre minha pele nua. De novo eu estou aqui sofrendo, imagino o quão pesado seja o fardo que carrego… Eu mal consigo carregá-lo sem fazer com ele me deixe curvado, quase rente ao chão.

Eu não sou como os outros garotos, eu não suporto isso como os outros garotos, eu não sei lidar com isso… Dói tanto toda vez que ocorre. Cada vez mais, mais, mais. Dentro de mim produz um barulho de pancada no metal, seco e duro. Céus, quanto mais eu vou chorar? Por quantos dias ainda viverei assim? Sem saber se existe alguém para mim. Eu me sinto um castelo de areia em frente a uma tsunami, uma casa de cartas de baralhos em frente a um furacão… Eu me sinto tão fraco e minha vontade é me jogar no chão e deixar ele me abraçar, me prender, me sugar e me enterrar.

Eu queria tanto que isso passasse, eu queria  tanto me sentir melhor, queria tanto ter alguém que eu tivesse certeza de que me amava.

Acredito que posso ser um pouco egocêntrico por que sempre acho que tudo conspira contra mim, mas são tantas coisas que me deixam triste… Na verdade, nem são tantas, o que ocorre é que elas ocorrem com tanta frequência que fazem isso comigo. A falta de confiança e de apoio dos meus pais, os relacionamentos que não dão certo ou que nem mesmo chegam a se iniciar, as patadas que levo do amor, as discussões com amigos…

Se o amor fosse um jogo e fazer pontos significasse amar e ser amado de verdade, eu acho que meu total de pontos estaria em negativo. A cada tentativa, eu conseguiria menos um ponto. E eu diria: Desculpa, eu acho que eu não sei jogar o jogo do amor =( Queria que alguém interessado de fato pudesse me ensinar.

Eu ouço essa músicas tristes e cada dedilhada do violão na música parece me atingir com força de uma pedra, com um impacto de um punhal no peito. Perdão… Eu acho que estou muito fundo nos meus pensamentos, talvez isso não esteja fazendo sentindo nenhum. Talvez nem faça mesmo, e só eu possa entender. Desculpe, eu não consigo mais digitar, meus olhos estão cheio de lágrimas e embaçados.

Quando você pensa mais do que você quer, seus pensamentos começam a sangrar. 😦 😦