– nossos barcos

Às vezes nos pegamos perdidos em meio à complexidade dos dias atuais. Parece que todo mundo está com seu próprio barco lotado de coisas com as quais deve lidar por conta própria. Alguns conseguem dirigir tudo isso com aparente maestria, e alguns de nós vivem com constante medo do peso do barco nos levar para o fundo. É complicado. A gente tende a buscar ajuda nos outros, uma espécie de reboque. “Me ajuda, meu barco tá muito pesado”.

Em meio ao movimento frenético da vida e às constantes mudanças diárias, tudo parece evanescer muito rápido. Tudo parece transmutar de uma forma que nossos olhos, emoções e pensamentos podem não acompanhar na mesma hora. O coração acelera, a mente fica confusa e os olhos ficam turvados. É, a gente precisa saber como velejar no meio disso. Ou ao menos continuar em frente. “Continue a nadar”.

Acredito que ao longo dessa nossa viagem, é necessário livrar-se de muito peso que a vida vai nos dando. Inseguranças, medos, incertezas e outras tantas coisas pesam como chumbo, são carga nociva. O que não é fácil de maneira nenhuma, ninguém disse que seria. Entretanto, ao vermos que essas coisas não têm serventia real, que só nos deixam mais pesados, e que elas podem arruinar nossa viagem, trabalhar para arrastá-las para fora do barco deve ser uma prioridade.

É engraçado como muitas vezes não olhamos para os pontos fixos em nossas vidas. Ontem, conversei com um amigo que há muito tempo não conversava. Oito anos atrás éramos os melhores amigos e tínhamos tudo em comum. A vida era mais leve e conforme foi pesando, nossos barcos se distanciaram um do outro. Conversando ontem e lembrando de dias melhores, notamos que por mais que dez anos tenham se passado, ainda somos os mesmos e muitas de nossas semelhanças ainda vigoram.

É bom reconhecer pontos fixos no meio das mudanças. Aquece o coração. Reconhecer que éramos grandes amigos ainda fez surgir sorrisos e boas lembranças. É como um vento refrescante quando estamos cansados e suados de carregar nosso peso. É nostálgico de uma forma boa. Então a gente suspira e deixa o peito relaxar um pouco. Faz com que percebamos aquilo que temos de fixo: alguém especial que amamos e nos ama da mesma forma. Amigos com quem podemos contar. Pessoas que estão dispostas a nos ouvir.

Nós precisamos aprender a enfrentar a vida sozinhos, sim. Precisamos ser comandantes daquilo que carregamos e aprender o que deve ficar e o que deve ser deixado. Pode parecer assustador nos livrar de mecanismos falsos de defesa, mas que na verdade, são os que nos atacam por dentro. Conversando consigo mesmo, de fora pra dentro, a gente acaba reconhecendo o que serve e o que não serve.

A vida é complicada, complexa, cheia de caminhos, decisões, oportunidades. É cheia de rotas que devemos escolher qual tomar. E apesar de ser tão complexa, ainda assim é um aprendizado. Mesmo que erremos, mesmo que tomemos caminhos errados e o coração acelere ao ponto de nos deixar sem ar, erros podem ser corrigidos, feridas podem ser curadas e a mente e o peito podem ser domados e acalmados. A vida é professora. Aprendamos corretamente o que ela tem a nos ensinar. Mar tranquilo nunca fez bom marinheiro.

 

Anúncios

2 comentários sobre “– nossos barcos

  1. Jhonatan Moura disse:

    Arrasou amigo. A vida normalmente é complicada mesmo. Muitas coisa acontece ao mesmo tempo. Família, amigos, relacionamentos, estudos, trabalho, e ainda tem o seu EU. E você tem que dar conta tudo sozinho. Não deixe seu barco afundar, por coisas que não vale a pena.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s