– estamos todos desesperados

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Estamos todos com medo de amar. Essa é a grande verdade. Apesar de tantas opções que temos hoje, apesar dos mais variados tipos de relações, dos aplicativos de pegação disfarçados de aplicativos de namoro, dos likes, dos amei, dos crushes que aparecem sem fim, dos matches… Estamos com medo de amar. Quanto mais pessoas querem ser amadas, menos pessoas parecem dispostas a amar. Às vezes tudo dentro de um mesmo peito. Tudo batendo junto numa sinfonia disforme. “Quero, mas tenho medo.”


Estamos todos desesperados. Essa postura fria, desapegada e mutável é só reflexo do medo de nos apegarmos. “Pode ir embora, eu não me importo”, mentimos para nós mesmos falando palavras que não concordam com nosso peito. “Cala a boca, coração”, ordenamos impiedosos. “Foi só um crush, nem penso mais”. Mentira. Pensa sim. Toda vez que ouve aquela música você pensa. Mas nesse meio doido que vivemos, demonstrar sentimento é fraqueza. Demonstrar que você não é uma pedra é igual demonstrar que você é iludido demais.
“Vou apagar do Instagram nossas fotos juntos”, como se isso fosse apagar da cabeça e dos pensamentos todos os sorrisos compartilhados, as várias mensagens trocadas na alta madrugada, o toque das mãos, o arrepio do abraço, o encaixe do seu pescoço contra o pescoço do outro. Podemos apagar do Instagram, mas todas as marcas estão espalhadas pelo nosso próprio corpo. Interna e externamente. É difícil, eu sei.
Estamos todos nos forçando. Essa dor, esse amargor, esse desgosto que sentimos e que não podemos demonstrar nos faz vestir essa máscara de “Tá tudo bem”. Não tá. Tá doendo. Tá latejando. Tá fazendo você chorar por dentro e enterrar dentro de si e não mostrar. Eu sei que dói. Dói mais ter que chorar escondido e se sentir fraco do que a própria dor de não ter dado certo. De ter ido embora, de fingir que não se importa.
Estamos todos inventando desculpas. Estamos todos cada vez mais desacreditados nesse sentimento que parece cada vez mais nocivo. Quem era você antes de ser despedaçado várias vezes? Quem era você antes de vestir essa armadura sentimental? Quem é você sem essas armas, escudo e elmo? Onde você enterrou você mesmo? Onde você trancou seus primeiros pensamentos sobre o que era o amor? E por fim, para onde foi o amor que você teve que expulsar de si? Sim, por que algo grande assim não desaparece simplesmente.
Mas aqui estamos todos nós. Sabendo que estamos todos sentindo o mesmo, mas com um acordo mudo e mútuo. “Se você fingir que não se importa, eu também finjo que não importo.” E lá dentro tá tudo colidindo, desmoronando e se perdendo e se esbarrando e se amassando. A gente machucando a gente. Não faz sentido.
Amor líquido, amor desapegado, amor frio… Não, obrigado. Eu passo. Sei lá. Dá um medo ver como todos estamos encenando essa peça estranha sobre o amor. Todo mundo com medo e ninguém abre o jogo. Porra, eu também to com medo. Quando vamos deixar de fingir que não nos importamos?
Lady Gaga disse algo que levo comigo sempre. Eu não quero ficar sozinho para sempre, mas eu posso ficar por hoje à noite. Eu posso. Mas não queria. E dane-se se parece carência. Dane-se se parece expectativa demais. Estamos todos cansados de tentar barrar expectativas. Eu, você, ele, ela, nós queremos criar expectativas sim! Toda vez nós queremos criar expectativas, mas ficamos ali barrando, freando, nos educando a não deixarmos elas fluirem. Mas queremos que aquela outra pessoa crie expectativas junto com a gente.
Não tenha medo. Vai lá, pega a mão dele e entrelaça seus dedos nos dele sem medo dele achar que você tá indo rápido. Vai lá, faz carinho na nuca dela e desliza a mão pelo cabelo dela sem medo dela te achar muito chiclete. Se aconchega no ombro dele. Passa o braço pelos ombros dela. Deita de conchinha. Beija a boca dele. Abraça a cintura dela. Enterra o rosto no abraço dele. Deita no colo dela. Afaga a barba dele. Acaricia a pele dela. Demonstra.
Expõe.
Revela.
Você pode sentir isso? Não chore… Ou chore. Tá na hora de chorar mesmo. De demonstrar sentimentos e parar de engolir tudo. Deixa sair. Deixa fluir. Tira a máscara e resgata tudo de bom que você deixou ir.
Estamos todos cansados desse teatro. Tá na hora de parar de fingir.

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