– reforma

Hora: 18:42 – Ouvindo: Bastille – Bad Blood

Olá. Quanto tempo. Sim, faz meses. Meses desde que olhei para o teclado e meus olhos turvaram perante minhas lágrimas confusas e conturbadas. Não, eu mal entendia o que queria dizer naquele último post. Sim, eu sentia muita dor e senti durante um bom tempo. Se você me perguntasse se eu passei esse tempo todo sem escrever por que estava me recuperando, eu responderia que não. Eu passei esse tempo todo sem escrever por diversos motivos. Eu não usaria a palavra curar para o que passei. A gente nunca se cura de verdade, né?

Enfim, eu passei pelo que tinha que passar. Falei sobre isso num status no Facebook. A vida tá indo. O reveillon passou e eu estava ao lado dos meus amigos. O ano avançou. Flertei. Iniciei. Me apaixonei de novo (surprise!). Namorei. Terminei. Me completei. Me refiz, me amassei, fiz de novo. Me tornei pleno de mim esses últimos meses. Conheci pessoas incríveis. Dei medalhas de amor para pessoas de longe que eu quero perto de mim. Perdi o que achei que eram amigos e encontrei novos. Passei no vestibular – de novo. Minha família tá indo. Eu os amo apesar de tudo. Aprendo com eles e eles estão aprendendo comigo. Minha mãe ainda tem pontos de deslize, mas estamos nos conectando. Aos poucos, mas estamos. Era isso que eu queria. Tivemos discussões feias. Fiquei muito triste com algumas atitudes dela. Cheguei a escrever no meu diário o que eu pensei em postar aqui, mas… Não.

A vida tá indo. Tenho sido cuidadoso com relações. Especialmente as mais próximas. Creio que amadureci mais esse ano. Muito mais. Em relação a muitas coisas. Cresci. Percebi. Lamentei. Mudei. Descobri que sou ainda egoísta. Não só materialmente, mas sentimentalmente. Monopolizo pensamentos e sentimentos e os converjo em minha direção. Aprendi que ainda sonho muito, mas tenho posto o pé no chão aos poucos. Eu aprendi muito de outubro do ano passado até agora. Nossa, você não tem noção. Às vezes me questiono se esse pé sentimental que tenho posto no chão é realmente bom, mas ao mesmo tempo tenho sentido uma segurança emocional maior. Uma confiança em mim mesmo – o que nunca foi comum.

Acho que isso é bom, sim. Me por em primeiro lugar, ser mais eu, me amar mais. Não ter medo de não ser o suficiente, afinal se eu não me sinto o suficiente por que alguém mais acharia isso? Se eu não for bondoso comigo, por que alguém seria? Não entendam isso como um egocentrismo, por favor. É só… meu escudo. Na verdade nem um escudo. Essa é minha vestimenta. Esse sou eu. Sabe… Eu tenho me amado. Tenho me admirado. Tenho tido carinho e consideração por mim. Isso nunca tinha acontecido antes. Vocês que já leram meus textos aqui sabem do que estou falando. Eu nunca me feri, nunca tentei algo que fosse prejudicar minha vida drasticamente – ao menos não fisicamente. Minha lâmina sempre foram meus pensamentos e sentimentos de baixa auto-estima, insegurança, medo e rejeição.

Meu jeito bobo sempre disfarçou isso, mas em casa no meu quarto pela noite era que o lado frio afrouxava e imergia sôfrego e sedento por lágrimas. Era ali na frente dos espelhos físicos e imaginários que quem quer que eu fosse se despia da ridícula carcaça que eu vestia. Permanecia nu me detestando até o fim. Todas as ideias, memórias e pensamentos que não me libertavam. Que não me deixavam sair do meu tempestuoso mar onde eu costumava me esconder até a chuva ir embora. Não, não me diga o porque eu era assim. Esses nós eu cortei. Não minto, meus eus me assustavam. Conversávamos, convivíamos, mas nunca fomos de fato amigos.

O bobo, o taciturno, o bêbado, o raivoso, o fiel… Todos parecem terem sido unidos novamente. Terem sido misturados numa solução que se tornou suportavelmente agridoce. Parece que reencontramos o encaixe de onde cada um havia saído. Me tornei um quando achei que tinha me despedaçado mais. Meus péś não falharam. Eu não morri. Eu não me afoguei. Desde os ontens pelos quais passei. Os borrões de medo quando surgem, surgem apenas como instantes que consigo espantar rápido – a maioria das vezes. Mas tudo bem. Tudo bem em não se estar bem. Acontece com todo mundo. Acontece com vocês também, não é? Eu sei que sim. Todo mundo tem problemas e se esquece do botão automático às vezes. Meu interior se reformou e ganhou novas mãos de tinta branca. Enfim, minha casa. Só minha. E a vida tá indo.

Eu não sei se estou conseguindo falar o que sobrou para ser dito. Mas escutem-me. Está em minha mente, nos meus olhos. Foi um adeus. Passou. Um tempo perdido. Nem tenho como voltar atrás. Não estou dizendo que essa é um condição permanente, a que estou. Sou visitante. A paisagem me agrada. A vida tem ido como um vento veranil e meus eus não estão aqui. Me esqueceram. Me deixaram sozinho em casa. Eu estou do lado de fora olhando para frente. Tanto frio nesse chão escuro. Não me pertence mais. Está fora e eu dentro. Eu nunca fui muito bom com palavras reais. Com o real. Com o concreto. Mas eu quero dizer o que quero dizer de verdade dessa vez. Foi reparado e eu ainda me amo.

Só parece que de certa forma eu me achei. De certa forma eu fui dirigido para mim mesmo enquanto procurava alguém que eu esperava me decifrar, me solucionar. De certa forma, eu notei o meu próprio caminho e parei de me procurar nos caminhos dos outros. Os sinais sempre estiveram na minha frente e eu nunca havia confiado em meus próprios olhos. De certa forma eu encontrei em mim o que eu sempre busquei em outros. De certa forma eu me tornei aquilo que eu buscava.

De certa forma me encontrei. Da forma certa, me achei.

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