– melhor tiro

Archery Statue

Hora: 11:25 – Ouvindo: Ed Sheeran – Sunburn

Tem dias que quero escrever aqui e tem dias que sei que vou escrever aqui. Hoje é um dos dias que eu acordei sabendo que viria descarregar aqui. Tanta coisa aconteceu. Mais um mês. Mais um nome. Mais uma ferida. E uma das grandes agora. Cara… Sei lá, eu acho que eu sou o responsável por arruinar toda relação que tenho, seja ela social ou amorosa. Eu sinto que sempre incomodo ou sou apenas levemente aceito. Eu sinto que sou trocado muito fácil.

Todo mundo me diz que sou uma pessoa ótima, um cara inteligente, divertido, bondoso, carinhoso. Me dizem que sou incrível e tentam me convencer disso repetindo para que fique gravado em minha cabeça. Mas se sou tão assim, por que ninguém permanece? Ou o que falta? Todo mundo fala essas coisas, mas eu acabo sentindo que eles sempre preferem alguém além de mim…

Eu sou a segunda escolha de todo mundo – quando sou a segunda escolha. Quando sou uma escolha. Se sou uma. Isso dói.

Eu sou um muro de lamentações. Eu sou um lenço onde secam-se lágrimas. Eu sou o caminho por onde as lágrimas de terceiros olhos correm e esbarram-se. O problema é: para onde vão minhas lágrimas? Quem é que vai as aparar? Droga. Eu queria ser menos metafórico e jogar a verdade nua e crua na cara das pessoas, sem rodeios. Eu vejo todo mundo levitando ao meu redor sendo levado por uma ou outra coisa e isso me desespera. Não ter algo firme. Eu vejo que eu levito sem rumo da mesma forma e procuro apenas um olhar que queira me manter. Um olhar que queira me abraçar e me guardar fora dessa caixinha de lenços que sou. Nada do que falam pode me salvar de mim mesmo. Eu sou um vidro quebrado. Um pulso sangrando. Eu sou uma última chance perdida. Eu sou um amor desperdiçado por falta de insistência numa pequena tentativa. Eu não ofereço riscos… Por favor, por favor… Eu tô chorando mais uma vez, óbvio. Eu preciso tanto. Você não tem noção.

Esse último mês foi uma completa desgraça. Eu me perdi mais uma vez tentando não perder alguém. Eu dei o meu melhor tiro, mas era o alvo errado. Eu juro que foi o meu melhor. Até mesmo eu desconhecia o quanto eu posso fazer e amar para manter alguém comigo. No entanto, eu não devo sentir o certo em algo que sei que está errado. Não consegui fingir apesar de ter tentado. Não consegui ser querido. Calma… Não consigo ter calma. Foi um jogo de tolos. Nós nos enganamos. Eu me enganei. Eu me enrosquei em minhas doces mentiras. Eu forcei meu coração até onde ele pôde aguentar, forcei até ele rachar e trincar e mesmo doendo do jeito que ele ficou, eu ainda o quis dar, eu ainda quis oferecer meu coração trincado e rachado por que ele ainda é o que tem de melhor em mim. Ele é minha medalha enferrujada. Eu me sinto mal encaixado.

Tantas promessas feitas sem uma palavra. Tantas promessas encobertas em mensagens. Eu odeio promessas. Eu fui desacreditando em todas. Eu tenho te apagado aos poucos. Eu tenho te deixado ir mais rápido do que eu sempre quis. As memórias com você chegam aleatoriamente agora. Desconexas. Vazadas. Um beijo na cozinha depois de beber água. Uma mão na cintura enquanto subíamos as escadas. A única foto que tiramos juntos. Uma piada contada. Um segredo dito. Uma mordida dada. Uma risada compartilhada. Todas essas coisas chegam sozinhas agora. Nunca completas. E eu fico me perguntando por que lembrei disso no momento por que não faz mais sentido. Eu encontrei fotos suas no meu computador. Deletei todas. Não foi fácil. Não mesmo. Eu precisei de muita força de vontade para segurar meu peito e afinar a sintonia entre o meu cérebro e meu coração. De tudo, as duas únicas lembranças inteiras são o nosso primeiro e último beijo. Houve tanta diferença entre os dois. No primeiro estava quente dentro e fora da gente, no último tudo estava frio. O primeiro foi dia, o último, noite. No primeiro você segurava a minha mão, no último, eu segurava minha mão. No primeiro, eu sorri, no último, eu derramei lágrimas que você não viu. No primeiro, meu coração pulou, no último, se enterrou. O primeiro foi doce de Coca-Cola e Bubbaloo, o último foi salgado de lágrimas. No primeiro, eu quis ficar te olhando para sempre. No último, eu virei às costas e fui embora sem olhar para trás. Até hoje não sei de onde tirei forças para subir aquelas escadas de volta sem tropeçar ou começar a chorar. Eu não quis escrever um post só sobre aquele dia. Eu fiquei tão mal. Eu te esperei chegar por tanto tempo e quando você chegou só me deu 15 minutos. Eu me senti o pior ser humano. Eu te dei de mim o mesmo tanto que você me negou de você. De verdade, a gente nunca tentou.

Eu sou feito de cores. Eu tenho o verde dos sonhos. Eu tenho o azul da amizade e inocência. O amarelo do riso fácil, da bondade. Tenho o violeta da sagacidade. Eu posso dar o meu rosa de carinho. Eu tenho o meu tom de vermelho favorito de amor. O mais abundante. Eu tenho o azul-marinho de inteligência e compreensão. De todas as minhas matizes, de toda a minha extensa paleta de sentimentos, tudo que você deixou foi o preto e cinza. Nem o meu branco de calma você deixou. E eu sei que não te dói pensar em mim. Eu sei que você não tenta me tirar da cabeça, quando por acaso lembra de mim. Sei que você nunca passou uma tarde evitando chorar ao lembrar do quão frio eu estava a última vez que olhou dentro dos meus olhos famintos de você. Você nunca precisou analisar se valia a pena tentar me consertar. Você nunca secou os olhos por mim. Eu nunca me vi refletido em teus olhos. Mas eu… Eu te quis mesmo com toda a dor. Eu senti tanto tua falta. Eu tentei me agarrar a tudo enquanto você me cortava e marcava fundo. Eu tentei não me afogar enquanto você me observava afundando procurando você num local que você não estava. Você me marcou e me deixou, igual a uma queimadura de sol.

Eu sempre achei que era a você que o mar tinha afogado e levado embora para longe de todo o socorro, mas quando dei um passo a frente e observei direito, eu vi que quem o mar levava era eu. Eu é fui engolido pelo mar. Sou eu que estou longe de socorro. Foi eu que perdi meus pilares desde sempre. ME DIZ COMO EU POSSO AMAR SE TENHO TANTO MEDO DEPOIS DISSO TUDO!!?

Não. Você não mora mais em mim. Não confunda esse texto. Isso é apenas um desabafo. A única coisa que sinto disso tudo ainda é um arrependimento de ter gastado minhas melhores cores. Um arrependimento de quems, comos e porquês. Eu te esperei no que pareceu a noite mais escura para mim, mas nada estava certo em mim. Nada estava certo em você. Nada estava certo naqueles beijos, sorrisos e lágrimas. Nada estava certo, a não ser a minha certeza de que tudo estava errado.

Lágrimas nos lembram que ainda estamos vivos, então tudo bem em chorar, Alexandre.

Just for today, hold on.

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