– cartas

 

Hora: 12:42 – Ouvindo: The Cranberries – Just My Imagination.

Eu estou calmo. Isso está me assustando. Eu nunca fico tão calmo assim depois de uma tempestade. Eu nunca me comporto. Nem lágrimas agora porto. Essa tranquilidade tem me encabulado. Sabe, muita coisa se escondeu em mim em cinco cigarros. Pois é, cigarros. Cinco cigarros e eu deixei a ansiedade, medo, frustração, desespero e ciúme irem embora. Um cigarro para cada. Cada um literalmente virou fumaça e se esvaiu. E ficou essa tranquilidade que me deixa inquieto. Eu estou bem, caramba! Mas, como assim?? Eu acho que me apego e desapego muito fácil.

Não tô falando de indiferença. Eu ainda gosto. Gosto indiscutivelmente. Tô falando de preocupação com o que vai acontecer. Tô falando de me esforçar muito para fazer algo dar certo. Não está mais em minhas mãos. Sinto que dei meu melhor. É como me disseram: eu sou 8 ou 80. Não consigo ser intermediário. Na verdade, sim. Até consigo, mas só quando quero. E acho que o meu intermediário é quase ao mesmo nível do inferior. Eu sempre começo com o coração COMPLETAMENTE aberto por causa da maldita esperança e ansiedade de encontrar alguém. Carente, eu sei. E aí vem a primeira  realidade e então eu fecho um pouco a porta do meu peito, mas ela tá ali ainda. Entreaberta. Encostada, apenas.

Eu apenas diminuo o fluxo de sentimentos. Não é que eu deixe de gostar. Eu só controlo o que sai daqui. Mas aí vem o segunda realidade e então eu fecho a porta com medo no início. Aí nem as músicas que me emocionavam fazem mais efeito em mim. Contudo… eu acho que esqueço a chave do lado de fora da porta, então eu espero que a abram e queiram entrar de vez e aí sim eu não temeria mais.

Enfim, eu comecei assim. Letárgico ontem à noite. Dormi tranquilo. Acordei irado. Irado por não poder fazer mais nada. Maldição, eu queria que ainda houvesse algo que eu pudesse fazer além de apenas esperar. Cara, eu fiz tudo que eu pude. Eu mostrei todas minhas cartas. Eu apostei minhas fichas. All in. Acordar assim só me deixou com vontade de ferrar com todo mundo, sabe? Eu não estou ferido. Não me sinto mal nem com dor por nada, mas queria sair por aí quebrando e ferindo alguns corações desavisados. Dar corda para se enforcarem.

Me deu vontade de falar com pessoas que sei que são afim de mim e fingir afeição só pra depois dispensar. Eu nunca fiz isso, mas hoje eu pensei como isso deveria sentir para quem não é ferido. Eu poderia aproveitar que hoje não estou sentindo nada e sair por aí caçando alguém para eu ferrar. Para fazer chorar e depois dar um pouquinho mais de esperança só para depois deixar sozinho de novo. Eu poderia. Mas sei que não vou. Houve um tempo que eu exerci forte fé no Amor. Fosse qual fosse a face que ele apresentasse.

Nunca imaginei que exercer fé no amor me tornaria tão vulnerável.

Acreditar nisso era apenas minha imaginação. Criatividade de criança cheia de paixões e que sonha com um mundo onde tudo ocorre como nos livros legais e que fazem a gente chorar de emoção. Eu sempre pus minhas cartas na mesa por que não suporto a dúvida. A dúvida me assusta mais que o medo. Isso tem me tornado tão instável. Três meses, três nomes, três riscos, três cicatrizes. Cada nome se vai com um suspiro. Com uma tragada de cigarro. Isso já virou meu ritual particular.

Eu nem sei o que quero dizer com esse texto mesmo. Nunca me expresso tanto assim. Eu queria passar como tô me sentindo frio, e como isso não está me incomodando. Cinco cigarros fizeram uma grande cirurgia em mim. Cinco cigarros conseguiram organizar a bagunçar da minha cabeça e coração. Guardaram cada sentimento em seu lugar e recolocaram cada pensamento em seus devidos cômodos. Alinharam minhas pontas. Cinco cigarros que se foram muito rápidos e levaram consigo muito que havia em mim.

E eu sei! Eu sei que isso me mudou de alguma forma. Eu sinto que aprendi algo. Eu sei que não vou ser mais tão incauto quando conhecer alguém. Sei que analisarei mais. Que medirei. Que conversarei com um pé atrás apesar de estar sorrindo. Eu sei que não iniciarei nada sem ter certeza que realmente quero e ao menos um pouco de fé que vai funcionar. Eu mudei, sinto isso. Então eu tô por aqui. Nem perdido nem mais o mesmo. Só por aqui mesmo. Não vou procurar alguém, não vou me jogar. Só vou deixar a correnteza me levar e fazer meu barco esbarrar no de alguém.

Minha porta tá fechada mas não trancada. Eu vou esperar até encontrar alguém. Enquanto ninguém aparecer, a chave ainda está do lado de fora esperando uma vinda não confirmada, mas esperada. Enquanto ninguém aparecer, eu espero quem já apareceu. Eu tô aqui dentro. Nem precisa bater ou chamar. É só entrar e me encontrar. Eu estarei na minha cama de sentimentos onde costumávamos ficar de sexta até domingo não vivendo de realidade. Quando gostamos de alguém, não precisamos pedir um local no coração desse alguém. Se for recíproco, o local nos será dado sem que peçamos. E eu não vou pedir. Nem vou forçar. Mas também não esperarei para sempre.

Minhas cartas estão aí, abertas. Não é mais minha vez.

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