– árvores

Hora: 12:46 – Ouvindo: Breaking Benjamin – Rain

Você já sentiu como se todo mundo secretamente – ou não – esperasse que você fizesse algo e você não soubesse como fazer? Já sentiu a pressão de olhares e palavras? Você já ouviu um suspiro de decepção que te doeu mais do que uma pedrada? Você já quis conversar, se abrir, se explicar, mostrar que você também tem fraquezas mas tudo o que encontrou foi uma parede branca? Já sentiu seu coração sendo envolvido por uma folha em branco que ia apertando, apertando, apertando até você perder o ar? Você já se sentiu como apenas um montinho de terra sem importância de verdade?

Eu meio que às vezes volto para meu fim e olho para trás de uma forma complicada, como se tivesse uma outra mente, um outro corpo… Como se pudesse flutuar por entre meus pensamentos vagarosos e viscosos, me desviar das notas desafinadas dos crimes de meu peito e me esconder atrás do desperdício de minhas lágrimas. Ouvir aquilo dentro de mim que só eu compreendo de uma forma incompreensível. Corro para minha bagunça pessoal, me jogo dentro das estrelas que ainda brilham no meu outono a milhas de distância da realidade. Essa tempestade de palavras. Essa salada de sentimentos. Essa orgia de pensamentos. Nada está completando meu ciclo de razões, nada está levando embora o orvalho cinza que caiu no motor que há em meu peito.

Nada está desaparecendo nessa manhã. Nada está se alterando. Eu estou apenas anestesiado. Incrível como uma ação pode nos fazer  ficar quebrados por horas, até mesmo por um dia inteiro. Eu queria realmente encontrar a melhor saída nesses momentos, queria encontrar a trilha mais segura e escalar esses penhascos horizontais que as vezes me separam do mais lógico. Queria ser menos teimoso, aceitar o fim, aceitar o vento forte, o granizo, a tormenta.

Ninguém parece entender como eu estou sobrecarregado de expectativas sobre mim. São tantas árvores para podar, tantas folhas a recolher, tantas flores a regar, tanta grama a cortar. São tantas mudas a plantar. Tanta coisa para fazer sozinho sobre a pressão gravitacional dos olhares semi-discretos. A cada dia que vai indo embora eu vou vendo minhas ferramentas envelhecendo, enferrujando, quebrando-se… Tudo por mim mesmo… E isso dói tanto. Estar sozinho e ainda perder ferramentas. Eu sempre venho parar aqui. Sempre volto para o mesmo lugar como se fosse encontrar algo novo, na verdade acho que venho aqui para enterrar parte dessa bagunça maldita que parece ganhar vida dentro de mim vez por outra.

Eu queria uma ajuda. Eu preciso de ajuda. E eu fico aqui parado. Observando. Árvores envelhecendo. Folhas caindo, uma por uma. Me cobrindo. Aumentando o peso do meu trabalho. Cada merda de folha que não consigo lidar. Cada porcaria de folha sendo suspirada em um olhar em minha direção. Trabalho, estudos, amigos, família, talentos, igreja, planos, decisões, sonhos… Merda, é tanta coisa para lidar sem ter alguém que me entenda de verdade… Não estou dizendo que quero alguém que só me dê um espelho de palavras e assim conforte meu ego, mas alguém de verdade que me olhe nos olhos enquanto falo, me abrace e me diga: ”Calma, tudo bem… Vem, vamos consertar essa bagunça. Vamos podar essas árvores”.

Alguém que vai deixar eu jogar essa tempestade fora, que vai me ajudar a limpar, alguém que vai ouvir tudo com olhos plácidos, sem pena, sem compaixão, sem falsa caridade – apenas compreensão. Alguém que vai me entender. Houve um tempo que me escondia atrás de olhos assim, mas eu devo ter perdido essa ajuda no meio de tantas folhas também. A vida sempre dá um jeito de enterrar aquilo que queremos e precisamos. Talvez você precise aprender a amar como gostaria de ser amado.

É difícil navegar sozinho nesse mar. E difícil ler de olhos fechados. Falar sem abrir a boca. Ouvir obstruindo os ouvidos. É difícil se estabelecer e se manter aquecido sem uma tenda ou cobertor numa campina vazia numa noite fria. É difícil ser apenas o ouvinte e nunca ter a chance de falar, de se mostrar, de tentar se explicar. É difícil tentar montar o quebra-cabeças que você é. É difícil encaixar sozinho quando você é um cego sentimental longe do toque de qualquer um, longe de possíveis amores. Tão dentro de si mesmo que fica longe da vista de qualquer um, longe de sua própria mente. Tão envolvido pelas ervas e eras que mal pode começar a achar a saída, mal pode se abrigar contra a tempestade que está rugindo lá dentro. Eu só queria que eu tivesse o mesmo gosto que aparento ter. Queria ser tão raso quanto pareço…

Você já se sentiu como a última peça num jogo de xadrez consigo mesmo sem ter quem o defenda de seus próprios ataques? Você já se sentiu como um maldito quebra-cabeças onde todas as peças parecem não pertencer umas às outras? Você já se sentiu como um pássaro de asas quebradas preso numa gaiola de pensamentos complexos? 😦

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