– muralhas

rapaz solitário

Hora:09:00 – Ouvindo: Imagine Dragons – Radioactive

Ele era um rapaz solitário. Dedicado aos seus pensamentos e reflexões. Era um bando de um só integrante, era um exército de si mesmo, um pacote repleto de sua própria essência. Em seu interior tantas ruas e vielas se confundiam, tantos destroços e ruínas se amontoavam que era praticamente impossível a ele mesmo encontrar quem ele era, talvez fosse isso que o levasse a pensar tanto. Talvez fosse por não se conhecer que preferia não permitir a ninguém que o conhecesse, que alguém o encontrasse antes de si mesmo.

Dentro de si havia furacões, tempestades, explosões e terremotos que se confundiam, fundiam, quebravam e rompiam suas barreiras e paredes, que o afugentavam e o faziam se esconder além daquelas muralhas de fogo, aço, ferro e pedra. Seus olhos não eram poços profundos ou labirintos intricados como é tão comum àqueles que são andantes de si mesmos, pelo contrário, eram simplesmente barreiras que avisavam sem uma palavra, eram icebergs que se mostravam por completo, eram fogo que queimava sem provocação.

Ele era seu próprio capitão, sua mente era sua tripulação e seu coração seu convés; um navio abandonado. Talvez pudesse dar ordens a tripulação, mas essa não ia ao convés e assim ele continuava sem cuidados, ou talvez até fossem, mas algo além a impedia de agir. Fosse o que fosse as paredes e portões nunca cediam, nunca vacilavam. O vendaval de emoções era muito intenso: alegria, tristeza, incompreensão, raiva, ódio fervente. Algo deve ter bagunçado tudo dentro de si um dia, algo deve ter apagado a luz de seu quarto interior e a criança que um dia ele fora ficou assustada demais e fugiu, se perdeu, se confundiu e ficou com medo demais para reabrir os olhos novamente ou parar de correr. Em algum lugar no meio dessas muralhas, dessas cercas ainda reside esse ser perdido. A perca dessa identidade, dessa compreensão talvez ocasionou esse mar de emoções que ele navega. Em algum lugar distante, escuro e perdido ainda existe um ser desaparecido, incompreendido. O rapaz que o procura hoje pode parecer severo, duro e amargo contudo sua busca não pára, não acaba. Seus olhos não olham o mundo fora de si, mas sim o interior, cheio de bagunça, cheio de dúvidas, cheio de raiva até encontrar quem já foi um dia, até encontrar quem será um dia.

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