– por que, pai?

Hora: 20:20 – Ouvindo: Megan McCauley – Come to Me

Hoje eu tava pensando na minha relação com meu pai que cada dia vai de mal a pior. Não é que nos odiamos ou que não queiramos conviver juntos, é que parece que nunca fomos próximos de verdade e que só agora vemos os malefícios disso tudo, e o pior: a gente não faz nada pra melhorar esse quadro. Eu fico pensando em todas as vezes que ele não esteve presente, em todas as vezes que ele me jogou palavras na cara, quase como um tapa. Quase como um soco. Eu lembro que ele nunca me abraçou de verdade, sabe aqueles abraços cheio de carinho e ternura que vemos nos filmes quando pais e filhos se encontram? Pois é, eu nunca tive um daqueles. A gente nunca conversou sobre os problemas um do outro, a gente nunca compartilhou um momento de diversão juntos. A verdade é que eu sempre me senti meio que abandonado pela sua parte, apesar de eu o ver todos os dias. E apesar de o ver todos os dias, isso não mudou nem muda nada.

Eu nunca o disse como dói todas as vezes que alguém me elogia pelo que sou e ele sempre diz algo que ele acha que a pessoa está errada, que eu não sou aquilo que ela pensa. Eu nunca o disse como machuca quando ele diz que apesar de eu ser ”um pouco inteligente” eu não sei usar minha inteligência, quando na verdade, eu estou criando histórias fantásticas nos meus livros. Nunca o disse que dói no fundo do meu coração todas as vezes que lembro quantas vezes ele já me disse que sou uma decepção há muito tempo em sua vida e na vida de minha mãe; o quanto dói ao saber que ele me acha um desastre ambulante, um sem-futuro, uma pessoa que não tem sonhos realizáveis e que nunca será bem sucedido como meu irmão mais velho.

Ele não sabe que eu sou tímido, ele não sabe que eu sou inteligente, ele não sabe que eu tenho grandes amigos, e não simplesmente ”colegas do dia-a-dia”, como ele diz. Por que, pai, o senhor não pode aceitar os elogios dirigidos a mim? Por que, pai, o senhor não aceita que eu posso me dar bem na vida com o que gosto de fazer e que isso vai me levar longe? Por que o senhor não acredita que meus sonhos são importantes para mim e que são eles que me mantém são e que eles são verdadeiramente o que quero? Por que, pai, o senhor acha que eu tenho que ser como meu irmão? Será que o senhor não vê que provavelmente eu sou como sou por que quero uma atenção pelos meus atos e não por repetir aquilo que meu irmão já fez?

Será que o senhor não consegue ver que eu sempre quis, por mais que eu esconda isso, uma relação mais próxima entre nós? O senhor não consegue ver que eu penso que não sou bom o suficiente e que toda minha insegurança vem por causa disso? Que toda vez que eu penso que estou indo bem… o senhor sempre tem uma opinião contrária e que me desanima?

Todos os meus amigos me dizem que não sabem como suporto você, não sabem como eu não rompo relações com você e me mudo, e não nego que eu já quis muito isso. Eu já quis me mudar várias vezes, e ainda quero sair do país, morar em um lugar mais calmo e longe desse pessimismo que você me passa.

Por que nunca fomos próximos, pai? Por que o senhor nunca brincou comigo? Por que nunca me fez uma festa de aniversário? Por que nunca me deixou brincar com os meninos em frente de casa a vontade? Por que nunca foi me buscar no colégio e por que não me dava dinheiro pro lanche? Por que não quis que eu escolhesse o curso na universidade que eu gosto e por que não quis que eu estudasse em outra cidade? Por que desconta sua raiva de mim em cima da mamãe dizendo coisas chatas para ela?

Por que nunca me disse ”eu te amo”, pai?

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