– melancolia

Escrito em um caderno, no meu quarto depois de uma longa noite cheia de decepções:

Hora: 01:06 – Ouvindo: Simple Plan – I’m Just a Kid

— Ah, oi. Você voltou? — sem ânimo nem interesse.

— É só uma visita. — timidamente senta-se.

— O que houve? — acende um cigarro.

— Humm… Pensamentos e decepções, como sempre. É duro ver padrões que você julga especiais sendo quebrados, e quando é uma pessoa que você admira, é mais difícil ainda. Não minto dizendo que não estou triste, mas também não quero confessar. Quem mais entenderia meus motivos além de mim mesmo? Quem mais aceitaria? Eu sei que eu não tenho nada haver com a vida de ninguém, mas, sei lá… eu queria falar e fazer as palavras terem sentido, expressarem realmente o que sinto, contudo as palavras são muito insignificantes e inúteis perante o que sinto.

Essa foi uma das piores noites da minha vida. Não é só por que é Dia dos Namorados e eu estou sozinho, isso não é nada. Além da raiva e da chateação por acontecimentos anteriores, acrescentaram-se outras coisas.

Eu me vi em um lugar que eu não deveria estar, eu senti que não deveria estar ali, por que ninguém havia realmente me convidado e as expressões diziam isso. As conversas que não me incluíam diziam isso. Eu me vi desprezado e sozinho, metido a força num lugar, que por mais que aparentasse tudo bem, tudo ia mal dentro de mim. Sorri para que parecesse que estava feliz. O ingresso não era meu, e só o foi por que primeiro o recusaram. O trato foi quebrado, eu fui deixado, colocado no modo Espera. Por quê?

Eu vi pessoas queridas passarem, me olharem, reconhecerem e virarem o rosto em seguida sem cumprimentar. Eu fiz acenos que não foram retribuídos. Dei sorrisos que amarelaram ao serem renegados. Senti o sangue jorrar de meu peito feridos por essas coisas, por essa falsidade em que vivemos. Senti-me sozinho em meio a uma multidão.

What’s wrong in the society? Is everybody going crazy?

Vi meus ídolos caírem por terra, eles mesmos se derrubando, traindo minha confiança e admiração. Meus valores não mudaram e vê-los sendo ofendidos me deixa triste. A noite estendeu-se lentamente. Nada me chamou a atenção além disso. Não senti fome, não senti sede, sono ou cansaço — era tudo uma desculpa. Só tristeza misturada com raiva, decepção, amargura e mágoa.

Tudo me parecia vão e fútil. Tudo era apenas um desfile ao qual eu impacientemente esperava o final. A bebida desfilou, o cigarro, os olhares, os corpos — um ou outro corpo me chamava a atenção, mas nenhum me prendia de fato. Eu olhava por olhar, sorria por sorrir, comentava por comentar. Eu só queria ir embora.

Talvez eles tenham pensado que eu estava me fazendo e tal, não importa. Estou triste. Logo passa. Sempre passa. Eu sei disso. Só preciso de um tempo para pensar. Tempo para despreocupar, deixar para lá e voltar a ser feliz. Eu só tenho 18 anos, mas meu coração já sofreu talvez mais do que o necessário. Sói eu sei o quanto de dor, tristeza, ódio, decepção meu coração já passou por amores e amizades.

Eu não sei ser rancoroso por mais de algumas horas. Talvez isso seja bom. Talvez não.

Nobody cares, ‘cause I’m alone and the world is having more fun than me…

Nobody wants to be alone in the world tonight

And I’m alone tonight…

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